O VIDEIRINHO

sexta-feira, junho 01, 2012

VOU ÁS P*TAS

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Um homem entra no meu táxi e pede-me para o levar ás p*tas, ele e eu. 

Uma p*ta para cada um. 

Diz-me que paga tudo: o táxi, o que petiscarmos, os copos que vamos emborcar e os “corpos alugados”. 

Digo-lhe que não, que já venho “derreado” de casa (é mentira, mas dá-me tempo para pensar). 

O tipo faz-se de surdo e insiste:” 

Venha daí. 

Leve-me à boite, cabaret ou clube nocturno que mais aprecie. 

Deixo-o escolher a menina que mais gostar. 

Interrogo-me porquê tanto empenho em ir ás p*tas com um completo desconhecido. 

Talvez consista em compartilhar a culpa, em procurar um cúmplice. 

Notei que tem uma aliança de casado, que veio para o meu táxi no hotel e que acaba de guardar a gravata no bolso do casaco. 

Suponho que estará no Porto de passagem, em viagem de negócios. 

 

É dos que pensam que nestas viagens expresso e com a desculpa do trabalho, as infidelidades não contam como numa partida de futebol no campo adversário e à porta fechada: ninguém se inteira e cada golo vale a dobrar. 

Incluir o taxista no jogo não é mais que o seu modo de justificar os seus pecados. 

Por conseguinte, não está a tentar convencer o taxista, mas sim o cura disfarçado de taxista. 

Quer que o confessor, que é quem se ocupa de limpar a sua alma, vá ás p*tas com ele. 

Por isso lhe disse amém a meias. 

Levei-o a um dos melhores e mais selectos clubes da cidade, entreguei as chaves do meu táxi ao porteiro (sem desligar o taxímetro) e entrámos, o meu passageiro e eu. 

 

A “patroa” mandou-nos entrar para uma sala, sentámo-nos em cadeirões ultra confortáveis, pedimos champanhe e nesse instante começaram a desfilar por diante de nós, jovens impressionantes ligeiramente vestidas. 

Evidentemente, o tipo pediu-me para escolher primeiro. 

Escolhi uma jovem horrorosamente parecida a uma ex-noiva minha. 

Imediatamente ele também escolheu a sua, radicalmente distinta da sua mulher (a não ser que a sua mulher também seja negra). 

O meu passageiro deu a mão à jovem e desapareceram por uma porta. 

Eu fiquei com a outra. 

Chamava-se Sandra, tal e qual a minha ex-noiva. 

 

Passámos para um quarto com jacuzzi, abriu a água, desnudou-se lentamente (um corpo de morrer, como o de Sandra), entrou no jacuzzi e com voz sensual convidou-me a compartir o banho. 

Mas ao acercar-me dela vi algo que me partiu em dois. 

A um canto da banheira, não me perguntem porquê, havia um pato de plástico, Made in Hong Kong, exactamente igual ao que dorme a meu lado, cada noite, desde que vivo só. 

Fui vê-lo e senti de súbito um pânico indescritível. 

Já não pude continuar. 

Saí a correr. 
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4 comentários:

Tétisq disse...

Solidariedade Masculina?
Gostava muito de saber o que quer dizer com "pato de plástico" parece ter um segundo sentido e eu estou sem tempo para adivinhar qual é.*

Táxi Pluvioso disse...

Champanhe, jacuzzi, upa, upa, casa fina.

xistosa, josé torres disse...

tétisq

Um pato de plástico é (i)comestível, mas pode ser um amuleto, um talismã, um fetiche.
Quem sabe?
Veja AQUI

xistosa, josé torres disse...

Táxi Pluvioso

... e carne, muita carne, como convém num talho.