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Um homem entra no meu táxi e pede-me para o levar ás p*tas,
ele e eu.
Uma p*ta para cada um.
Diz-me que paga tudo: o táxi, o que
petiscarmos, os copos que vamos emborcar e os “corpos alugados”.
Digo-lhe que
não, que já venho “derreado” de casa (é mentira, mas dá-me tempo para pensar).
O tipo faz-se de surdo e insiste:”
Venha daí.
Leve-me à boite, cabaret ou clube
nocturno que mais aprecie.
Deixo-o escolher a menina que mais gostar.
Interrogo-me porquê tanto empenho em ir ás p*tas com um completo desconhecido.
Talvez
consista em compartilhar a culpa, em procurar um cúmplice.
Notei que tem uma
aliança de casado, que veio para o meu táxi no hotel e que acaba de guardar a
gravata no bolso do casaco.
Suponho que estará no Porto de passagem, em viagem
de negócios.
É dos que pensam que nestas viagens expresso e com a desculpa do
trabalho, as infidelidades não contam como numa partida de futebol no campo adversário
e à porta fechada: ninguém se inteira e cada golo vale a dobrar.
Incluir o
taxista no jogo não é mais que o seu modo de justificar os seus pecados.
Por
conseguinte, não está a tentar convencer o taxista, mas sim o cura disfarçado
de taxista.
Quer que o confessor, que é quem se ocupa de limpar a sua alma, vá ás
p*tas com ele.
Por isso lhe disse amém a meias.
Levei-o a um dos melhores e
mais selectos clubes da cidade, entreguei as chaves do meu táxi ao porteiro
(sem desligar o taxímetro) e entrámos, o meu passageiro e eu.
A “patroa”
mandou-nos entrar para uma sala, sentámo-nos em cadeirões ultra confortáveis,
pedimos champanhe e nesse instante começaram a desfilar por diante de nós,
jovens impressionantes ligeiramente vestidas.
Evidentemente, o tipo pediu-me
para escolher primeiro.
Escolhi uma jovem horrorosamente parecida a uma
ex-noiva minha.
Imediatamente ele também escolheu a sua, radicalmente distinta
da sua mulher (a não ser que a sua mulher também seja negra).
O meu passageiro
deu a mão à jovem e desapareceram por uma porta.
Eu fiquei com a outra.
Chamava-se Sandra, tal e qual a minha ex-noiva.
Passámos para um quarto com
jacuzzi, abriu a água, desnudou-se lentamente (um corpo de morrer, como o de
Sandra), entrou no jacuzzi e com voz sensual convidou-me a compartir o banho.
Mas ao acercar-me dela vi algo que me partiu em dois.
A um canto da banheira,
não me perguntem porquê, havia um pato de plástico, Made in Hong Kong,
exactamente igual ao que dorme a meu lado, cada noite, desde que vivo só.
Fui
vê-lo e senti de súbito um pânico indescritível.
Já não pude continuar.
Saí a
correr.
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4 comentários:
Solidariedade Masculina?
Gostava muito de saber o que quer dizer com "pato de plástico" parece ter um segundo sentido e eu estou sem tempo para adivinhar qual é.*
Champanhe, jacuzzi, upa, upa, casa fina.
tétisq
Um pato de plástico é (i)comestível, mas pode ser um amuleto, um talismã, um fetiche.
Quem sabe?
Veja AQUI
Táxi Pluvioso
... e carne, muita carne, como convém num talho.
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