O VIDEIRINHO

segunda-feira, abril 27, 2015

REPRIMIDO

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Estou a enamorar-me de uma mulher que não é a minha, mas não me hei-de apaixonar porque tenho que dar atenção à minha própria esposa à qual devo permanecer fiel, como jurei, faz um montão de anos. 
Não posso deixar de pensar na outra e ás vezes creio que estou a ponto de “dar o salto” e cometer adultério, mas vou-me deixar de maluquices e continuar a cumprir com o meu dever. 
Continuarei feliz por estar casado, até que termine de viver, como venho fazendo, como costumo fazer e como assim mesmo tenho pensado continuar a fazer. 
Costuma passar-se isto de me apaixonar a destempo – o que quer dizer  que me ocorre com mais frequência do que deveria suceder – mas sempre que me começo a apaixonar por outra, a minha, que não se acaba por habituar a isso, desata a chorar e atira-me à cara os meus devaneios sem deixar de se lamentar, pelo que volto a reconsiderar e a reconduzir o meu matrimónio, uma e outra vez.




Assim continuo a levar o matrimónio, pior ou melhor, desde que me casei faz muitos anos, porque assim o decidi, como tantas vezes tenho deixado dito. 
Ando a repeti-lo todo o dia a mim mesmo: 
“Tenho que fazer o que tiver que fazer. 
Não posso apaixonar-me e pronto”. 
E agora tenho que terminar este relato porque não pára de tocar o telefone desde que o comecei. 
Deve ser ela. 
É ela. 
Ai!
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1 comentário:

Táxi Pluvioso disse...

Um homem pode ter várias mulheres, desde que tenha dinheiro para os lares.