.
Estou a enamorar-me de uma mulher que não é a minha, mas não me hei-de apaixonar porque tenho que dar atenção à minha própria esposa à qual devo permanecer fiel, como jurei, faz um montão de anos.
Não posso deixar de pensar na outra e ás vezes creio que estou a ponto de “dar o salto” e cometer adultério, mas vou-me deixar de maluquices e continuar a cumprir com o meu dever.
Continuarei feliz por estar casado, até que termine de viver, como venho fazendo, como costumo fazer e como assim mesmo tenho pensado continuar a fazer.
Costuma passar-se isto de me apaixonar a destempo – o que quer dizer que me ocorre com mais frequência do que deveria suceder – mas sempre que me começo a apaixonar por outra, a minha, que não se acaba por habituar a isso, desata a chorar e atira-me à cara os meus devaneios sem deixar de se lamentar, pelo que volto a reconsiderar e a reconduzir o meu matrimónio, uma e outra vez.
Assim continuo a levar o matrimónio, pior ou melhor, desde que me casei faz muitos anos, porque assim o decidi, como tantas vezes tenho deixado dito.
Ando a repeti-lo todo o dia a mim mesmo:
“Tenho que fazer o que tiver que fazer.
Não posso apaixonar-me e pronto”.
E agora tenho que terminar este relato porque não pára de tocar o telefone desde que o comecei.
Deve ser ela.
É ela.
Ai!
.


1 comentário:
Um homem pode ter várias mulheres, desde que tenha dinheiro para os lares.
Enviar um comentário