.
E tu, o
que queres ser quando fores grande?
Perguntava-lhe
uma fulana despenteando o cabelo a um chavalito enrodilhado à perna da sua
mãe.
O miúdo
ficou a olhá-la em silêncio do mesmo modo que as vacas o fazem em relação aos
comboios.
Depois de
vários segundos, a mãe interrompeu habilmente essa resposta muda atraindo novamente
o olhar da fulana; o miúdo desde “lá de baixo”, seguia contemplando-a.
Desfrutei
desta situação e em especial daquele silêncio.
Provavelmente
a senhora esperava ouvir: bombeiro, médico, astronauta, polícia... mas isto,
são unicamente profissões.
Quando
fores grande podes ser muitíssimas coisas, podes ser simpático, gordo,
sensível, viajante, calvo, equilibrado, orgulhoso, batalhador, bobo, valente,
generoso ou singelamente nenhuma delas.
Aitana Carrasco (tirada DAQUI)
A questão
não é tão inocente como parece, são este tipo de coisas que, sem darmos conta,
vão calando e moldando as nossas vidas; não vos parece curioso que ao pessoal
lhes interesse, infinitamente mais, saber “a que te dedicas” do que a “saber
como estás”?
Quando se
fala de uma vida de sucesso quase sempre se fala em termos económicos ou profissionais.
Para
começar, penso que se deveria admirar mais o profissionalismo que a profissão e
mais o capital humano que o económico.
A mim,
particularmente, preocupa-me que estas coisas não preocupem, sabendo que para
muitas pessoas não alcançar este tipo de objectivos materiais, supõe a sua mais
profunda infelicidade.
Muitos
dos nossos heróis actuais são idiotas profundos, que não sabem voar e só pensam
em salvar-se a si mesmos.
Entre a
panóplia dos “nossos” ícones, destacam-se predadores de cabelos gelatinosos,
tele-famoset@s, ilustres tontos ou fut–modelos.
É significativo que a maior manifestação de orgulho que invade um país é quando a sua selecção vence a sua rival; ninguém se pavoneia com orgulho num bar, cerveja na mão, do número de cientistas, artistas, organizações humanitárias, dos doadores, políticas ambientais, da justiça ou população solidária, sã e feliz com os que conta o seu país.
Se partimos de valores e referências presumidas teremos uma vida oca.
Eu particularmente admiro todos aquelas pessoas que desfrutam e saboreiam a vida através da natureza, da cultura, da amizade e da criatividade, em todas as suas formas e variantes.
Mas não esqueço um bom copázio de cerveja fresquinha...
Mudando de assunto e voltando ao mesmo, ou por falar nisso... para mim, o mais que eu queria ser, era jovem.
















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