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RENÉ MAGRITTE - Le Blanc-Seing
Há dias em que te sentes estranho, as tuas mãos são capazes de tapar o sol e o reflexo que o espelho devolve é apenas uma verosimilhança.
Contemplas a manhã como um entardecer e quando o fazes, entendes muitas coisas que não compreendes: decides saudar os teus amigos assim como os desconhecidos, preferindo caminhar assobiando, a passear conversando, sem procurar absolutamente nada, confias encontrar algo.
Quando desfrutas desse autismo anímico ninguém pode entrar... um dia estranho.
Num dia estranho, vejo tudo muito, muito estranho... em plena catarse neuronal, qualquer extravagância sugerida pelo cérebro toma sentido; acho que o mundo é pequeno e isso faz-me sorrir, adopto pose tipo transcendental, enquanto reflexiono e faço humor, olho um cão que não me fala e sinto-me só.
Num dia destes sentes-te mais próximo ao longínquo que ao conhecido.
Num dia estranho, escreves isto:
Nesta terra oxidada
sobre um manto de caviar dividido
espero tranquilo.
Retomarei caminhos de lava
na noite orfã de lua,
deambularei entre cadáveres retorcidos
confundido com negro destino,
o destino de outros mares,
entardeceres desconhecidos.
Beberei da tua comissura
sete lágrimas que brotem,
caminharei esta vereda sem caminho
para demonstrar que sigo caminhando
para acreditar que talvez existes.
Não sei o que estou a escrever...
sobre um manto de caviar dividido
espero tranquilo.
Retomarei caminhos de lava
na noite orfã de lua,
deambularei entre cadáveres retorcidos
confundido com negro destino,
o destino de outros mares,
entardeceres desconhecidos.
Beberei da tua comissura
sete lágrimas que brotem,
caminharei esta vereda sem caminho
para demonstrar que sigo caminhando
para acreditar que talvez existes.
Não sei o que estou a escrever...
Quando estás estranho, isto parece-te inteligente.
Quando estás estranho, todos são estranhos.
11ABR2012
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