O VIDEIRINHO

sexta-feira, janeiro 09, 2015

QUANDO FOR GRANDE...

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E tu, o que queres ser quando fores grande? 
Perguntava-lhe uma fulana despenteando o cabelo a um chavalito enrodilhado à perna da sua mãe. 
O miúdo ficou a olhá-la em silêncio do mesmo modo que as vacas o fazem em relação aos comboios. 
Depois de vários segundos, a mãe interrompeu habilmente essa resposta muda atraindo novamente o olhar da fulana; o miúdo desde “lá de baixo”, seguia contemplando-a. 
Desfrutei desta situação e em especial daquele silêncio. 
Provavelmente a senhora esperava ouvir: bombeiro, médico, astronauta, polícia... mas isto, são unicamente profissões. 
Quando fores grande podes ser muitíssimas coisas, podes ser simpático, gordo, sensível, viajante, calvo, equilibrado, orgulhoso, batalhador, bobo, valente, generoso ou singelamente nenhuma delas.


 



A questão não é tão inocente como parece, são este tipo de coisas que, sem darmos conta, vão calando e moldando as nossas vidas; não vos parece curioso que ao pessoal lhes interesse, infinitamente mais, saber “a que te dedicas” do que a “saber como estás”? 

Quando se fala de uma vida de sucesso quase sempre se fala em termos económicos ou profissionais. 
Para começar, penso que se deveria admirar mais o profissionalismo que a profissão e mais o capital humano que o económico. 
A mim, particularmente, preocupa-me que estas coisas não preocupem, sabendo que para muitas pessoas não alcançar este tipo de objectivos materiais, supõe a sua mais profunda infelicidade. 
Muitos dos nossos heróis actuais são idiotas profundos, que não sabem voar e só pensam em salvar-se a si mesmos. 
Entre a panóplia dos “nossos” ícones, destacam-se predadores de cabelos gelatinosos, tele-famoset@s, ilustres tontos ou fut–modelos.









É significativo que a maior manifestação de orgulho que invade um país é quando a sua selecção vence a sua rival; ninguém se pavoneia com orgulho num bar, cerveja na mão, do número de cientistas, artistas, organizações humanitárias, dos doadores, políticas ambientais, da justiça ou população solidária, sã e feliz com os que conta o seu país.






Se partimos de valores e referências presumidas teremos uma vida oca.






Eu particularmente admiro todos aquelas pessoas que desfrutam e saboreiam a vida através da natureza, da cultura, da amizade e da criatividade, em todas as suas formas e variantes.




Mas não esqueço um bom copázio de cerveja fresquinha...






Mudando de assunto e voltando ao mesmo, ou por falar nisso... para mim, o mais que eu queria ser, era jovem.



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