O VIDEIRINHO

terça-feira, janeiro 06, 2015

A PESQUISA

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Adrian Borda

Tudo é sexo ainda que não o pratiques, ou precisamente quando não o praticas é mais sexo do que nunca. 

Refiro-me à ansiedade que provoca. 

Ao instinto. 

Ao princípio da incerteza. 

Refiro-me a essa obsessão pela crença de que não há duas fricções iguais mas sim uma mesma fricção elevada a infinitos contextos. 

Refiro-me a essa obsessão em repetir em espiral uma só sensação e, retê-la e, adorná-la e, dotá-la de fantasia e, demarcá-la sem querer. 

Ou o conceito de abandono como opção: abandonar-se a alguém por amor, confiança, ou arrastado por um tsunami de curiosidade, ou simples niilismo. 

Ou o sexo passado. 

Recordar uma e outra vez aquele encontro e somar-lhe inevitáveis vícios, ou que se branqueie a dor de um passado em comum mal resolvido. 

 

Pensar só nela e que o resto dos corpos conduzem-te a ela ainda que conheças de memória como é o sexo com ela, os seios exemplares dela ou a sua humidade relativa. 

Ainda que o passar do tempo guarde insana proporção com o desejo. 

Ou essa inesgotável curiosidade por conhecer o que já intuis. 

O fetiche de um sutiã ou o segredo aos gritos que guarda esse mesmo decote. 

Ou essa luta entre iguais distintos. 

Querer o mesmo do outro ou procurar o prazer de procurar prazer no outro enquanto o outro procura o prazer de procurar prazer em ti. 

A PESQUISA em maiúsculas. 

O encontro. 

E experiência não programada. 

O aqui te agarro, aqui te fo*o, digo, "como". 

Os preconceitos. 

 

A delgada linha vermelha. 

A ausência de mapas. 

Os currículos inventados. 

A boca que cospe um peixe morto, mas não engole. 

O universo numa cama. 

O universo na bancada da cozinha. 

Ou no armário dos contadores. 

Ou no retrovisor de um táxi. 

Ou no banco de trás de um Smart. 

A novidade. 

A luta de egos. 

Assumir a iniciativa ou ser brusco ou delicado ou submisso. 

Ou olhar nos olhos ou fechá-los. 

Diz-me como “fod*s”” e dir-te-ei quem és. 

Sim, disse “fod*r”. 

Tu chamas-lhe sexo sem amor, para mim é a soma de dois amores próprios. 
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