O VIDEIRINHO

sábado, maio 26, 2007


Como continuo sem o meu companheiro d'armas, destas lides tempestuosas e este, que não me pertence, quero mantê-lo virgem das minhas arbitrariedades e inabilidades latentes, vou deixando correr a pena ao sabor da quantidade de tinta que me resta e escrevendo ...






Festas de ESPUMA

Reparei que no Verão passado, (em Espanha), num Verão pós-moderno e dançarino, continua-se pertinazmente com a moda das festas com espuma, o mesmo é dizer, ânsia bailável de umas noites com bolhas e bolhinhas de sumptuoso sabão ou sabonete.
Uma ânsia que se vai sofisticando, mais a mais, porque ultimamente nas discotecas da costa Mediterrânica, (que eu conheça), celebram-se festas temáticas de disfarces e de motivos históricos, ás quais se junta, como a cereja no topo do bolo, a humidade de uma espuma voluptuosa e colectiva.
Foi o caso de uma festa consagrada ao terror gótico, numa dada discoteca, onde um tipo disfarçado de huguenote sanguinário, acabou parecendo o Pato Donald saíndo do banho, o mesmo que um travestido alemão que com tanta espuma e confusão, já não sabia se o seu disfarce era o de Ana Bolena ou o de Esther Williams em "Escola de Sereias".
São estes os maiores problemas das festas com os malditos jactos de espuma, que destroçam num ápice o "look" e o estilo trabalhado durante semanas, além de introduzir a confusão sensorial e desorientação carnal entre as almas e os corpos.
Fixem-se bem na enormidade espumosa duma noitada de farra sideral na Costa Brava, (Espanha), cuja densidade e espessura, motivou que um turista de Manchester, confundiu e agarrou pelos gémeos, um "disc-jockey", acreditando que tocava as sensuais nádegas da sua noiva, uma empregada de Edimburgo com inconfundíveis curvas bem curvilíneas.
Não quero continuar a aborrecer com esta casuística, mas a verdade é que estas festas de espuma são uma porcaria, uma cafonice e acima de tudo, um atentado identificado contra os desejos transformistas de muita gente. Ao ponto de se acabar a pensar se se há-de ir a uma festa de espuma, dedicada a Helena de Tróia.
Porque se vamos vestidos como o guerreiro Aquiles, com a flecha e a ferida no calcanhar incluídas, o melhor é que nos confundam com o estafeta ou moço de recados, Sacarino(*) depois da primeira aspersão com espuma.

(*) Sacarino é o moço de recados ou servente na história cómica de Francisco Ibáñez, "El botones Sacarino", que não gosta de trabalhar e sempre que pode dorme ou entretém-se a jogar qualquer jogo e só ocasiona confusões e problemas


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