O VIDEIRINHO

quinta-feira, maio 17, 2007

O INVENTO DEFINITIVO

Debussy(*), era o mais apropriado, para desfrutar o momento sublime do entardecer alaranjado.

Sem o meu computador e para não vaguear pela Net, feito vagabundo, vago, errático e volúvel, li, por descuido, no “Manual Práctico del Astrónomo Aficionado”, (de José Maria Oliver, 1992), que Júpiter tem 16 luas ou satélites e Saturno, 17.

Parece-me que os livros também se enganam, pois Saturno tem 18 luas, já baptizadas e algumas dezenas mais, que ainda não passarão de letras e números, mas o livro fala em 17, com nomes tão sugestivos como, Pandora, Io, Calipso, Calisto, Europa, Titan, etc.
Para não falar de Neptuno, cortejado por Tritão e Nereida; muito longe, para local de férias.

À noite, pus-me a esquadrinhar as constelações com a ajuda dum planisfério.
Imaginei-me a bordo dum navio no alto mar, com a proa dirigida para a Estrela Polar; Cassiopeia à direita, Perseu, numa direcção mais para baixo. Imediatamente senti uma vertigem em metade daquele incomensurável anfiteatro cósmico, que me absorvia a mente, como um buraco negro, no preciso momento em que tratava de imaginar, onde estavam os limites de tudo aquilo e onde se situava o eixo que sustenta o universo planetário.

Sobrepus-me e regressei à posição fetal, ponto de partida deste formigueiro governado pelos grandes armazéns, hipermercados e ligas de futebol. (não falo em políticos e quejandos!).

Agarrado ao material, tinha desaparecido a magia de Debussy.

E quase a degradar-me intelectualmente, o naufrágio total estava servido por um programa de televisão, onde uns pseudo cómicos, ou cómicos pseudo, colocavam a letra e rima numa pateta ou patética canção, para um auditório febril, que parecia desfrutar com aquele nascimento.
Saltei mecanicamente de canal em canal, passando por fluidos e diarreias de famosos e parasitas. Refugiei-me na CNN, para conhecer a última parte da guerra, Israel – Hamas – Fatah, (o inverso também é verdadeiro, como na matemática), antes de ir deitar-me e sonhar com um “traumaturgo” justiceiro.

A Lua, emergia sobre os telhados em quarto crescente.
Projectava um ténuo reflexo sobre a janela do meu quarto.
Peguei nos binóculos e creio adivinhar o “Mare Serenitatis”.
Penso que me recordei que Aldrin e Armstrong, deixaram ali as primeiras pegadas do homem. ( eu continuo céptico nesta matéria, mas adiante ...).

Podiam ter poupado a viagem; porque em todo o mundo, tudo o que interessa, recebe-se triturado e reciclado através de um tubo catódico e é com ele, que se elege a classe e tipo de vida que se deseja viver, sem interferências que lhe compliquem a existência.
A TELEVISÃO, O INVENTO DEFINITIVO!

Uma vez que te ofereceram a Lua pela TV, que mais podemos esperar ?
O clube de exploradores e descubridores foi substituído pelo Guia Michelin, ou Campsa e pelo Google Earth.
O mundo conhecido, fica mais pequeno todos os dias; o outro, desconhecido, pode esperar.
Apesar de mais cómodo e mais barato, melhor será que nos invadam os Marcianos.
Para que nos deixem a televisão e o computador!!!

(*) – Debussy, compositor francês, (1862/1918), autor de melodias, peças para piano, (Prelúdios, Estampas, etc), de peças sinfónicas, (Prelúdio à Sesta de Um Fauno, Nocturnos ...), de um drama lírico, Pelléas e Mélisande, etc. A sua música requintada e impressionista é uma reacção contra o wagnerianismo e renovou a técnica da expressão musical.

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