O VIDEIRINHO

quinta-feira, maio 31, 2007

Uma antecipação antecipada






Nem sempre os suicídas podem ser acusados de impaciência.

O desejo de antecipar o último acontecimento da nossa vida pode obedecer a diversas causas ou nenhumas.


Não precipitaram a sua estadia terrestre pelos mesmos motivos, Camilo Castelo Branco, Antero de Quental, Florbela Espanca, Mário de Sá-Carneiro, Ernest Hemingway, Guy de Maupassant, Vincente van Gogh, nem Virgínia Woolf, entre muitos.


Há quem decida partir por temor à solidão ou porque se sinta excessivamente acompanhado, pela ânsia do absoluto ou do tédio.


Em qualquer época registaram-se suicídios, já que a natureza humana experimenta poucas variações substanciais, mas o nosso tempo oferece algumas curiosas variantes, entre elas o suicídio pela Internete.


Tem muito mérito colocar-se de acordo para sair de “excursão” sem ter prevista a volta, pois pelo menos não necessita de carregar com bagagem.


Não conheço as estastísticas, mas todos os anos há suicídios, (no Japão foram mais de 90, valendo-se da Internete).

As últimas foram três jovens de 20 anos. Almas gémeas que optaram por abandonar os seus corpos e engendraram a sua desaparição no ciberespaço.


O mais grave de algumas modas é não poder seguir mais do que uma e, há muitos psiquiatras que propõem planos para reprimi-las.


Pode ser uma forma de loucura colectiva, determinada por uma extrema lucidez, para o caso, clínico ou não, mas nas páginas da Web, abundam as ofertas.


Os seus usuários mais assíduos oscilam entre os 15 e os 30 anos de idade.

Uma franja de idade em que não não é possível fazer premonições e se acumula uma grande quantidade de tédio.


Nietzche dizia que o pensamento do suicídio representava para ele um poderoso consolo e que o havia ajudado a passar muito bem, uma má noite.


Considerado como “o teste absoluto da liberdade humana”, há que perguntar-se o porquê de se suicidarem mais japoneses com um nível de vida muito mais elevado que imigrantes nascidos num qualquer país africano.


Algo de raro se passa, mas como ocorre continuamente, deixa de ser raro!


Sem comentários: