O VIDEIRINHO

terça-feira, outubro 02, 2007

UM AMERICANO EM PARIS


Picasso - As damas d'Avigon



Prostitutas lavando-se, séc. XVI



Estavam a gozar as férias das suas vidas, John e Susan Grossly.
Filhos criados, bodas de prata passadas, finalmente realizavam um sonho: visitar a Cidade Luz, a torre Eiffel, Montparnasse, Le boulevard Saint Germain, andavam com as cabeças em torvelinho, corpos sarandilhando, quais borboletas em torno de uma lâmpada.

Uma tarde cinzenta, pois infelizmente é quase sempre assim o clima de Paris, a Mrs. Grossly desculpa-se que está cansada e vai dormir uma sesta.

Ah, a grande oportunidade de ouro que se apresenta a Mr. Grossly, ( que no dia que apareça um homem a direito, pregam Cristo de novo ).
Mr. Grossly sabia através das suas leituras, da existência de uma rua só de "meninas".

É a tricentésima Rue Saint Denis, na saída da gare du Nord, uma das quatro centrais de combóio parisienses.


Sem medo de sidas, gonorreias, chatos ou de qualquer outra doença venérea, lá vai o "gringo" directo a Saint Denis.

A oferta é vasta.

Umas aparentam experiência excessiva, com seus peitos até aos joelhos, lábios puxados de tanto ... imaginem.

Outras são jovens demais, que lhe daria a impressão de estar a comer a própria filha.


Quase no fim da rua viu uma ruiva espectacular.

Cinturinha de vespa, peitos de Scarlett Johannsen, biquinho de Brigitte Bardot.
Pernas longas como as de Uma Thurman, ancas como as de ... bem, não se pode querer tudo.
Mas era um rebuçado, um "bombom", com sardas, como a Liv Ullman, o seu grande amor platónico, da sua adolescência.


Aproximou-se dela, que "distraidamente" olhava para a sua carteira, com quase um metro por 80 centímetros, como se não soubesse das intenções do dito cujo.

Perguntou-lhe, o "gringo" quanto era.
A senhorita sabendo das "boas" intenções, disse-lhe que só fazia negócio por 150 euros.

Faltou-lhe o ar, mas recompondo-se, Mr.Grossly retorquiu-lhe com indignação:


- Cento e cinquenta euros? Puxa! dou-lhe cinquenta e mesmo assim já é exagero.

Os cinquenta euros de Mr. Grossly, não compravam nem dez minutinhos com a mais escanzelada, velha e decadente da Rue Saint Denis.

Voltou ao hotel, um hotel simpático, onde vários dos seus compatriotas já tinham pernoitado.

Saiu à noite com a esposa, andaram pela Place du Vôges, onde morou Victor Hugo, mas pensava ele, "Foda-se o Victor Hugo e os Miseráveis e o Corcunda de Notre Dame."

Estava submerso em pensamentos carnais.

Nisto vêem um restaurante com aparência impecável. "Ah, ao menos isto..."

A espera foi longa, mas como diziam que o l'Oulette valia a pena …


Quando finalmente entraram no minúsculo restaurante quem está lá?

A ruiva com um senhor, avô do Matusalém.

Ela olhou bem para Mr. Grossly, funga um misto de risada, torna a fungar, faz uma careta de desprezo e diz:


- Voilà, Monsieur!, é isso e meneou a cabeça em direcção a Madame Grossly, é isso que o Monsieur compra com os seus cinquenta euros …? humpf!

No dia seguinte Mr. Grossly estava na joalharia Cartier, com Mrs. Grossly.

As jóias são a penitência dos homens com culpa no cartório.

(Adaptado de um livro que desapareceu e não volta mais, de um autor desconhecido)


2 comentários:

Anónimo disse...

O que acontece com as mulheres de homens com culpa no cartório que não têm grana para comprar jóias pra elas???

Cortam fora, né? rs
Fato.

rs rs

xistosa, josé torres disse...

Se ler uma postagem anterior, verificará que o homem tem sempre argumentos.
Com astúcia consegue levar a água ao moinho, ou seja, dar de comer ao esfomeado!!!