O que inventou a estafa do conto do vigário, se fosse lícito cobrar pelos direitos de autor, de certeza que era uma das maiores fortunas do mundo.
A sua única concorrência quiçá, foi a do político que idealizou a fraude da promessa.
Um impostor que sabia muito bem que “prometer não empobrece” e que sempre haverá gente que acredita piamente, na eficácia da “banha da cobra”, nos caldos concentrados de galinha, feitos exclusivamente com a plumagem branca, como a carne da cobra.
Conta-se que Miguel de Unamuno, viajando por um povoado Salamantino, acercou-se, na detestável qualidade de mirone, duns jogadores de cartas.
Um deles, a quem a sorte mostrou um dos seus momentos de sorriso, gritou eufórico:
“quem inventou as cartas foi o homem com mais talento do mundo!”.
Miguel de Unamuno, que lhe custava á brava calar-se, disse-lhe:
“e o que me diz você do que inventou a cama?”.
O sábio bronco respondeu-lhe:
“foi o mesmo!”.
Talvez seja o mesmo que inventou o “conto do vigário” e o intemporal demagogo que continua a “despachar” promessas.
Ambos os negócios são eternos e nunca se registou entre eles a necessidade de fazer uma alegoria à crise.
O Governo não pára de oferecer, para além do preservativo nas escolas, até permissão de trabalho para quem não gosta de o fazer.
Também oferta um produto apenas reconhecível: a honestidade, vocábulo que se fez extensível à honradez.
Investigam-se os juízos dos juízes, tesoureiros de todas e nenhures associações, administradores de pança cheia, autarcas que se descuidaram na eterna pena da “mão no saco”.
Investiga-se o que não tem investigação tão evidente que até um falso vidente ou profeta profetiza o final.
Não são poucos os casos e há poucos dados e nós não sabemos nada de nada.
Há muitos a quem a sua senhora lhe pôs as hastes, mas os seus nomes e ideologias são diversos.
Os mercadores de nuvens, ou vendedores de ilusões, continuam com as suas tendas abertas e não lhes falta clientela.
Vivemos de promessas.
Mas só até ao dia em que descubramos que também elas têm prazo de validade.
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2 comentários:
Estamos em crise de valores morais e éticos.Ninguem se preocupa com ninguem.Toda a gente puxa a brasa a sua sardinha.
E é esta crise que despoletou a economica porque ninguem se chateia na avalanche de miseria e sofrimento que provoca em milhares de pessoas.
Ana Baptista
Eu quero viver e que se lixe o vizinho.
Num mundo materialista, o que se pode esperar?
Mas já não há emenda.
Os ricos ficarão mais ricos e os pobres ... povoarão (dentro de alguns anos) o imaginário.
"Venha a nós o vosso reino!!!" Será a frase da ordem.
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