O VIDEIRINHO

terça-feira, julho 21, 2009

AZEITE

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Âmbar luminoso, mel de azeitonas, dourado verniz que enobrece tudo o que toca, prisma que decompõe a luz em mil matizes, ouro líquido da gastronomia mediterrânica, o azeite foi elevado aos píncaros da Lua e aos altares pelos estudiosos e gastrónomos, mas continua e ser maltratado nos restaurantes turísticos da nossa costa.

A grande contribuição da península, à imperial Roma foi o azeite, juntamente com o vinho, o trigo e as conservas em sal, dos peixes.

Já então, o azeite produzido no Alentejo e Andaluzia competia com os produzidos em Itália, de onde se deduz que a baderna derivada dos mercados de azeite não são coisa moderna, que naqueles tempos contaram com indivíduos tão pouco recomendáveis como Tibério ou Calígula, porque pelo menos não existia ainda um tal Fischler.



É no verão, com a massificação e a enxurrada de incautos turistas criados à base de manteiga, quando maiores perigos espreitam o dourado elixir.

E sobretudo um, por cima de todos os outros: a fritura com abundante gordura e o seu correlativo tecnológico: a fritadeira.

Sei que é difícil, mas se encontram um bar, uma barraquinha, um tasquinho ou taberna onde se continue a utilizar a frigideira, abonem-se de “lecas”, paguem sem despesismo e comam ...

Caso contrário, resignam-se a comer umas beringelas empanadas com sabor a lulas à sevilhana, ou umas lulas à sevilhana com sabor a batatas fritas … no melhor dos casos.




Mais comummente: gordura requeimada.

E se falamos do azeite em cru, a coisa não melhora.

O habitual é que coloquem na mesa uma salada com magníficos tomates, excelente alface, excelsas e irreprováveis cebolas … e assassinem tudo proporcionando-lhes, para o tempero um desses galheteiros tão típicos dos restaurantes, com um indefinido e desbotado azeite, com um grau de viscosidade parecido com a água.

Afirmo-o!

Um local onde fritem na frigideira e te ponham na mesa um galheteiro tradicional com um bom azeite, é um local para viajar em devota peregrinação.

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