Os líderes dos oito países mais industrializados do mundo, conhecidos como “os grandes da Terra”, vão ocupar-se dos alimentos terrestres e acordaram fazer um esforço com o seu poder e destinar 14.400 milhões de euros para lutar contra a fome.Uma luta muito desigual, já que é muito maior o número de esfomeados.
Esse dinheiro, sem dúvida impressionante na sua grandeza, está destinado a África, que continua a chamar-se assim nos atlas, ainda que a maior parte seja um amontoado de escombros, entre rinocerontes sobreviventes e lanças constantemente afiadas.

Alguém acertou ao resumir o seu espólio: quando os brancos chegaram a África, tínhamos a terra e eles tinham a Bíblia”. Ensinaram-nos a rezar com os olhos fechados e quando os abrimos, os brancos tinham a terra e nós a Bíblia”.
Agora há que ajudá-los, mas cuidado com as obras de misericórdia, quando se fazem em defesa própria.
Estes subsídios em alta escala estão feitos, como os pequenos, para que ninguém venha meter-nos a mão no prato.
A quem não tem nada, há que acalmá-los, prometendo-lhes em discursos, o mais eloquentes possíveis, que no futuro vão ter direito a algo.
Para os oradores, por sorte, há muita gente que continua a acreditar neles.

Na localidade italiana de L’Aquila, onde por certo anda à procura de casa Berlusconi, com a certeza de a encontrar, reuniram-se durante três dias, os chefes de Estado e de Governo de 39 delegações dos cinco continentes.
Todos estão de acordo que há que lutar contra a fome, que já se sabe que é muito arriscado combater com alguém que a sofre.
Ou repartimos um pouco melhor ou chegará um momento em que os que não comem queiram fazer parte dos que partem e repartem.
Ainda que se conformem com a pior parte.
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