
Ser velho consiste em saber umas coisas que gostávamos muito, por outras que nos repugnam bastante.
Em qualquer caso, ainda que o refrão diga “do velho o conselho”, não há que chatear ninguém, que para isso estão os moralistas enlutados e os diletantes.
Por uma vez, que pode servir de precedente, quero reprovar os inumeráveis jovens, do consumo indiscriminado, impetuoso e bárbaro do álcool.
O problema do vício afecta jovens de doze e treze anos.
Mas que é isto?
Como se pode dizer que o único que se necessita para passar uma boa noite de sábado, ou de qualquer outro dia da semana, é uma garrafa apócrifa e umas quantas “passas”?

Estes garotos o que buscam é perder o norte como se não estivessem suficientemente desnorteados.
Juntos e confusos, lançados e estirados nas calçadas, abarrotam os hospitais na madrugada.
Quando se é adolescente, tem-se sempre uma estrela na mão.
E sobretudo se se tem tempo para a trocar por outra, se é uma má estrela.
Nessas idades o firmamento particular está cheio.
Como podem confundir o facto de tomar um copo com os amigos, enquanto se conversa e se nota, tórax adentro, a expansão coronária, com o emborrachar-se em metade da rua?

Talvez seja cedo demais para saber que não se deve beber para esquecer, sem esquecer primeiro e beber sossegadamente depois.
Mas não é para saberem que estão a fazer uma idiotice e um atentado ao seu organismo.
Nunca chegarão a ser uns velhos e sábios bebedores se submetem os seus púberes fígados a esse tratamento.
Tão-pouco sabem o que perdem, que além do tempo, desse trajecto penúltimo da vida, onde há que substituir umas coisas por outras, mas que ainda nos permite tomar um par de copos com os amigos de tarde em tarde, ou seja, todas as tardes.
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1 comentário:
O álcool tem educado gerações, e nenhuma se perdeu, todas chegaram ao fim.
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