Há que ser muito hábil para traçar o perfil dos novos pobres, já que não se deixam retratar e não se sabe qual é o seu lado bom.
Nos “mentideros” sabe-se que o seu número já ronda os 500.000 e que entre os chamados “necessitados” abundam os jovens com filhos.
Quer dizer que fizemos uma sociedade, ou melhor foi a sociedade que nos fez a nós, que não se assemelha em demasiadas coisas ao que nos descrevem os nossos obtusos políticos nos seus discursos.
Deviam abandonar os seus gabinetes para comprovar como a gente fica volta e meia.

Agora, que irá cair o BPP, que se despenca o BPN, talvez o governo encontre na varinha mágica uma fórmula de reordenar e “reencarneirar” a banca desbancada.
Curiosamente, para fazê-lo, falta contar com os pobres mais abastados.
Há que deitar as mãos aos que antes nos deitaram as mãos ao “garganil”.
O que será de nós se não têm dinheiro para emprestá-lo abusivamente?
A OCDE, que engloba os 30 países mais ricos profetiza uma recuperação na EU, China e Brasil, em 2010.
Lastimavelmente que nenhum vidente económico tenha vislumbrado uma recuperação económica na minha rua.

O que se vê ao longe são subidas dos impostos – é limpinho – para eliminar o défice em 2012.
Sei que é um ordinarismo falar de dinheiro, mas não há outro remédio.
Nós na rua não falamos do presidente do Banco de Portugal, que é o único habitante visível da “ilha do tesouro”, mas das nossas dívidas.
Vamos analisar as causas dos contínuos fracassos em vez de aprofundarmos a magna estafa dos nossos altos financeiros.
E os nossos fracassos continuam a ser menores que o dos melhores banqueiros.
Por muito que gananciosamente roubem, continuarão a viver no paraíso.
.

Sem comentários:
Enviar um comentário