O VIDEIRINHO

domingo, julho 20, 2008

IMORTAIS ou "motus-continuum"

No campo das culturas celulares, uma linha celular estabelecida, (ou como muitos gostam de chamar-lhe, dada a sua natureza, "imortal"), é uma linha celular que, devido a uma manipulação de laboratório, ou em casos extraordinários por causa de uma azarenta mutação, adquiriu a capacidade de proliferar indefinidamente.

O mesmo é dizer, que deixam de ser afectadas por esse "máximo natural" que é a "inibição por contacto - um mecanismo de controlo natural pelo qual as células de um tecido, ao entrarem em contacto entre si, deixam de proliferar, evitando desta forma destruir o tecido ou tecidos adjacentes -.


Com efeito, estas linhas de células, apesar de procederem de um organismo que morre ou se degrada, conseguem viver indeterminadamente enquanto contam com os nutrientes necessários para o seu desenvolvimento.


Crescem em camadas.


Um comportamento similar na natureza, pode ser observado nos tecidos cancerosos, exemplo pelo qual se procura a necessidade de descobrir um mecanismo de controlo.


Estas culturas estabelecidas ou "imortais", são de primordial importância na biotecnologia moderna, já que permitem, por exemplo, entre outras coisas, a produção artificial do genes da telomerasa,
assim como outras aplicações e ferramentas muitíssimo importantes.


O médico, George Otto Gey

No início dos anos 50, era raríssimo criar linhas celulares imortais de tecidos humanos.


Essa era a meta do Dr. George Otto Gey, um homem que, estava disposto a tudo.


E esse tudo incluiu uma recolha de tecidos duma mulher, Henrietta Lacks de 31 anos, com cancro cervical, (outros afirmam que era, do colo do útero), sem qualquer autorização, da paciente, família ou do hospital.


Esses tecidos foram por ele utilizados para investigação.


Ao fim de três anos após a morte de Henrietta Lacks, uma linha celular imortal, começou a ser produzida massivamente.


Foi esta ferramenta fundamental em investigações que permitiram a Salk, (Jonas Edward Salk), criar a vacina antipoliomielite.


Inclusivamente viajaram pelo espaço, já que a NASA utilizaria linhas celulares HeLa, para comprovar se a gravidade zero, era prejudicial aos tecidos humanos.


Posteriormente seria utilizada na luta contra o cancro, contra a SIDA e inclusive no teste de cosméticos com tecidos humanos.


Curiosamente, esta ferramenta não só trouxe benefícios como também enormes desgostos, já que a sua proliferação é tão profícua que durante a maior parte dos anos 80 e 90, a contaminação com cadeias de HeLa, sem o saberem, pensando tratar-se de outro tipo de cultura de células, alterou possivelmente a correcta leitura dos resultados.


Isto levou, durante 10 anos a uma correria, com o fim de encontrar um mecanismo eficiente de controlo e identificação.


Leia mais, aqui na: New Scientist.

Neste mundo hipócrita em que vivemos, Geoge Grey, o cientista que devido a ter sujado as mãos, para isto ser possível, foi repudiado durante muitos anos.


Hoje em dia, devido à sua capacidade de reprodução ou proliferação, as cadeias de HeLa, mutantes, a partir do vírus HPV - vírus papiloma humano - são consideradas como o primeiro organismo a evoluir a partir de humanos.


Tecnicamente denominam-se, helacyton gartleri, e é considerado um organismo que se pode manter por sua própria conta.


O seu código genético é o encontrado nos humanos mas é associado com o tipo de cancro de onde foi extraído primeiramente o tecido.


Não obstante, nem todas as cadeias HeLa, são chamadas desta maneira.


E há muitas diferenças entre diversas famílias cultivadas ao longo de décadas.



4 comentários:

Fatyly disse...

Bastante interessante e o maior desafio actual e futuro é de facto a biotecnologia já que as células infectadas pregam partidas constantes aos cientistas. Um desafio...

xistosa, josé torres disse...

Fatyly

Talvez os netos ou bisnetos já beneficiem de "oficinas", onde se consertem, recuperem ou tratem, quaisquer orgãos danificados ou doentes, como fazemos com os automóveis.
Gostava de "só poder apreciar", se se caminha para a imortalidade, do que será a vida na terra daqui a 100 anos.
Será que ainda existe ou vivem em camadas?

Laura disse...

Olá, essa é boa, se pudermos reparar os danos nos motores sempre é melhor que morrer das doenças e como há mais formas de manter a fonte da juventude, se tiverem saúde graças a essas células novas, então vivemos como sempre, bem e com alegria na alma...mas deixa ver!

Pensas que o mundo vai continuar assim desta forma sempre? Olha os tsunamis não são só nos paises pobres...Um dia isto tem de ir ao ar e nem haverá células que nos valham e acredito que tem de ser assim... O mundo tem demasiada maldade e ganância, desonestidade para querermos continuar aqui e aspirar chegar aos cem imperturbáveis!...

Que seca de vida me aguarda se for assim...Por vezes já anseio estar do outro lado, e dizer que ficaria aqui a empatar o juizo sem saber como resolver os mais simples problemas que temos entre maõs nos dias de hoje, a falta d etrabalho de euros para pagar a renda e a comida, isso bole comigo mano!...
Abraço a ti meu xistoso...laura..

xistosa, josé torres disse...

Laura

Há uns tempos, escrevi isto no meu outro blog

"Os homens primitivos matavam-se, muito mais de perto uns dos outros.

Uma grande proporção deles morriam no empenho.

A tarefa era arriscada: tinham que lhe encontrar valor enquanto procuravam as tripas.

Por isso se inventou a funda e a flecha.

Desde então aperfeiçoou-se engenhosamente a arte de matar à distância e há pouco tempo, mais de 100 países, acordaram, em Dublin, eliminar as bombas de fragmentação, esse penúltimo produto das uvas ou vinhas da ira.

A Rússia, os EUA, a China e Israel, não participaram nas negociações do tratado, talvez pensando que seria um mau negócio para eles.

Ás nações, ocorre-lhes o mesmo que a esses criminosos das novelas policiais, quem tem uma arma, acaba por usá-la.

Seria a primeira vez na tenebrosa história da humanidade que um país renunciaria a empregar um mecanismo de destruição, mas em muitas ocasiões firmaram-se acordos.

Sem dúvida que há momentos em que os seus lideres pensam isso de "já chegámos até aqui".

A Convenção de Dublin, comprometeu os acordantes a que "nunca, sob nenhuma circunstância se empreguem armas com submunições".

Não é que as carregue o diabo, são os homens que as carregam.

Também impede que as conservem ou as transfiram.

Há que deter o avanço do progresso da arte de matar.

Em qualquer lugar alguém pode apertar um botão e acabar com o invento atribuído ao SUMO FAZEDOR, já que na actualidade é possível fazê-lo sem dificuldades.

Bertrand Russell, que encontrou um interlocutor adequado em Einstein, trocou correspondência com ele, comentando a possibilidade da desaparição deste planeta situado nos arrabaldes de uma das milhares de galáxias.

Isso não era possível antes.

À pedrada, com lanças ou à fisgada, podiam aborrecer-se os combatentes.

Agora sim.

É claro que quando se pisa um formigueiro, há sempre algumas sobreviventes!"

E também é claro que os tsunamis que fala, vão-se dando nos países pobres que recebem e desbaratam, (os governantes), o dinheiro que os ricos deixam ficar.
Sempre os houve ... mas os piores serão os nucleares ...
Espero já não andar por cá, para assistir ao fogo de artifício.

Quanto ás "oficinas" de reparação ... bem até poderão ser nos talhos, têm o podem adquirir a matéria prima suficiente e necessária.