O VIDEIRINHO

domingo, julho 06, 2008

LAVRA de MORTE


Tela de Eleuterio Sanches


Lá em baixo

na margem do Cubango
p’rós lados do Cuangar
Carungo João
foi na lavra.
Filho na cacunda
quinda na cabeça
foi na lavra
Carungo João
no Cuando-Cubango
p’rós lados do Cuangar
Carungo João
foi na lavra
procurar mandioca
filho na cacunda
quinda na cabeça
que fome é bicho
roendo, mordendo...
foi na lavra
Carungo João
só encontrou mina
debaixo do pé
as pernas perdeu
e o filho morreu
pequeno, pequenino
na cacunda
de Carungo João
Aiuê, Suku ianguê!




Cacunda - costas.
Aiue, Suku iangue! - ai meu Deus!


NAMIBIANO FERREIRA

4 comentários:

Fatyly disse...

Infezlimente um dos vários flagelos de Angola - as malditas minhas retratado neste tocante poema e nas imagens.

xistosa, josé torres disse...

Fatyly

Tenho medo de andar de avião.
Tive uma viagem paga, o ano passado, em Setembro, a Angola, (Luanda).
Ia até Moçâmedes, onde em 1971, tinha primos direitos do meu pai.

Não fui.
As minas anti-pessoais, depois do medo de voar foram mais fortes.
Não estou arrependido.
Talvez ... se não partir ... ainda faça a viagem.

Daniel disse...

José Torres
Um poema a retratar uma realidade dos nossos!...
Este percebê-lo bem!...
Daniel

xistosa, josé torres disse...

daniel

Já me arrepiava em 1969/72.