A DANÇA DA CHUVA
Os deputados da Comissão Parlamentar de Agricultura quiseram saber o que está a fazer o Governo em relação ao impacto da falta de chuva no sector agrícola.
Na resposta, a Ministra Assunção Cristas manifestou a sua fé em que chova nas próximas semanas: «Devo dizer que sou uma pessoa de fé, esperarei sempre que chova e esperarei sempre que a chuva nos minimize alguns destes danos. Como é evidente, quanto mais depressa vier, mais minimiza, quanto mais tarde, menos minimiza. Se não vier de todo, não perderei a minha fé mas teremos obviamente de actuar em conformidade», acrescentou a ministra do Ambiente, do Mar, da Agricultura e do Ordenamento do Território.
Ao reproduzirem a declaração da Ministra, nos corredores do parlamento, alguns deputados questionam-se se Cristas se vai ficar só por uma oração a São Pedro ou irá mesmo fazer a dança da chuva...

Segunda-feira, Janeiro 16, 2012

A COSTUREIRINHA

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Descartada já a realidade prática do sentimento, agora que jogamos ao amor platónico, recomendo-vos uma lésbica. 

Não haverá ciúmes, que é a parte ruim do assunto. 

A essência dos ciúmes está, precisamente na comparação. 

Que terá ESSE que eu não tenha? 

Os ataques de ciúmes são punhaladas na base do ego e aqui, neste caso, não há ego que valha. 

Se te enamoras de uma lésbica não te podes comparar com uma mulher, por muito varonil que seja. 

Haverá sempre um abismo genital entre ambos. 

Se Ana, o amor platónico que ontem conheci no meu táxi, mantém uma relação com outra mulher, é porque ela é parte da sua natureza. 

Descartar-me-à, não pela minha falta de qualidades, mas sim porque simplesmente não a atraem os homens. 

Deste modo, o meu ego manter-se-á intacto e o nosso será impossível (como sempre foi) mas por culpa “de ninguém”. 

Como conceito teórico, parece-me que não está mal. 

Passemos á prática. 


Telefonei a Ana que me marcou encontro ao fim da tarde. 

Era uma casa de tectos altos, num maltratado terceiro andar sem elevador. 

Aí trabalhava mas também vivia, ou pelo menos vi uma cozinha e um quarto com uma cama de casal e duas mesinhas de cabeceira. 

O salão parecia, nunca melhor dito, um atelier de alfaiate: várias máquinas de coser, manequins e mesas com tecidos desdobrados formavam uma espécie de Tetris intransitável. 

Depois de mostrar-me a casa, ofereceu-me uma cerveja e sentámo-nos num sofá vintage. 

Ana vestia uma blusa branca, muito aberta e sem sutiã. 

Os seus seios pareceram-me pequenos e firmes e os seus mamilos pareciam mensagens em Braille da mesma blusa. 

Usava uma saia curta de tecido, sem meias (fazia calor) e no final das suas suaves e bronzeadas pernas, umas All Star azuis, desgastadas. 

 

Assim disposta, recostada no sofá e com a bainha da saia no limite do indecente, parecia uma ninfa dos subúrbios: formosa, próxima, casual e irresistível. 

Estivemos a falar, durante cinco ou seis cervejas, do seu trabalho, a sua vida e vice-versa. 

Incidiu no muito que havia influído a sua condição de lésbica nos seus desenhos. 

Nisto, levantou-se do sofá e puxando-me disse-me: 

- Façamos algo. 
Despe-te. 

- O quê? 

- Sossega. 
Não vou violar-te. 
Despe-te. 
Já venho. 

Sem perceber nada, comecei a despir-me e então ela apareceu com um vestido de mulher na mão. 

O vestido parecia inacabado, ainda com as guias das costuras à vista. 

Ajudou-me a vesti-lo e começou a ajustá-lo com alfinetes na zona do peito e das ancas. 

Ajoelhou-se diante de mim para um arranjo e, com o seu rosto a escassos centímetros das minhas entrepernas, com a sua boca separada de mim pelo fino tecido do vestido, (podia notar o calor da sua respiração), disse-me: 

 

- Já tinhas vivido alguma situação mais sensual do que esta? 

Antes que pudesse dizer algo, tocou-me em cheio na minha cada vez maior intumescência e disse-me: 

- Deixa lá. 
Não faz falta que me respondas. 

E por aí ficou a coisa. Bem, por aí não. 

Depois disto ofereceu-me o vestido: 

- Para que o vista o teu amor e te recordes de mim. 

Também me cedeu um pequeno espaço ao fundo do seu estúdio para actualizar o “INSÉTE” quando quisesse. 

- Talvez te inspires na escrita enquanto me vês a trabalhar. 

Saí dali bêbado e excitado. 

Extasiado e confuso em partes iguais. 

Sois muito peculiares.
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