Domingo, Janeiro 29, 2012

ME*DAS

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O meu burro, digo táxi, deixou-me completamente derruído em plena Av. Fernão de Magalhães. 

Soou um “pô,pô,pô” e entrou em paragem taxicirculatória. 

Aproveitando a inércia da marcha, encostei "à mão", accionei os intermitentes de emergência, coloquei o triângulo, não sem antes ter estreado o colete reflector da Emporio Armani que uma passageira me deixou em minha casa há uns tempitos, depois de ela mesmo ter tido igual sorte. 

Acolhi-a, como não podia deixar de ser, quer em minha casa, quer no meu leito de outros trabalhos. 

Como bom entendido, (não faço a mínima ideia da mecânica do carro), em lugar de manchar as mãos, abrindo  o capô e olhar o motor, como quem toca com um pau o cadáver de um nu, chamei directamente o ACP. 

Apenas tardou dez minutos a chegar a grua. 

 

O funcionário abriu o capô e ainda que, sem poder ver nada, (os motores de agora estão cobertos com uma tampa que impossibilita o fácil acesso), disse-me em tom boçal, que “tinha toda a pinta de se ter fo**** um rolamento da árvore de cames”. 

Soltou-o assim. 

Sem epidural. 

Já com o táxi sobre o reboque, disse ao “engenheiro” que o ia levar a um especialista em árvore de cames. 

- Esqueça isso. 
Conheço a 'muito melhor' oficina da cidade, respondeu-me o artista. 

E lá fomos. 

A 'muito melhor' oficina era uma fria nave dos subúrbios com dois anafados e gordurosos mecânicos (?) (suponho que a gordura das suas barrigas supurou), que deixaram de jogar futebol com uma lata de cerveja vazia assim que viram o nosso reboque. 

 

Saudaram-me com um característico “o que aconteceu?” e nesse mesmo instante, inclusive antes mesmo de dizer-lhes no seu jargão ”nem tenho qualquer p*ta ideia” subiram o meu táxi no elevador e começaram a desmontar peças como se não houvesse um amanhã. 

Três horas e muita mais gordura depois, ainda não haviam dado com o problema. 

Incluso consultaram um site, “Dicas Mecânicas”, na internet. 

Não sei se juntaram o “ pô,pô,pô”, as últimas palavras do meu muribundo táxi, e que eu lhes descrevera, mas não obtiveram a resposta para uma solução. 

Desesperados, os mecânicos, saíram para tomar uma cerveja ás 17,30. 

Aproveitei não estarem para espreitar por debaixo do táxi. 

Pequei numa gambiarra e foquei, tanto o motor como as peças adjacentes. 


Então, chamou-me a atenção um acumular de... parecia lama ou merda, que se havia formado na parte da frente, justamente na zona duma caixa donde saiam diversos cabos que me pareceram do rádio. 

Peguei num pincel grosso para limpar o sebo e ao começar, imediatamente começou a soar nos altifalantes o discurso de tomada de posse de Passos Coelho. 

Continuei a limpar e continuaram os discursos  do PSD “negando por activa e passiva, uma futura subida de impostos, porque significam mais desemprego e mais recessão”. 

Uma vez retiradas as merdas das mentiras do meu rádio, baixei o meu táxi do elevador e..., efectivamente, arranquei-o à primeira. 

Fugi da oficina sem esperar sequer pelos mecânicos, não sem antes escrever no “Dicas Mecânicas”:
“Não fazeis a mínima ideia de mecânica”.

Ah! Não ouvi o final dos discursos.
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