Sexta-feira, Janeiro 27, 2012

TRISTIMANIA

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Tirada DAQUI

Dizem os sábios que, em tempos de crise, aumentam as vendas de batons vermelhos e encurtam-se as bainhas das saias.

Os teus lábios são de um vermelho intenso e o teu vestido, (haja Deus!), apenas te cobre parte das coxas. 

Tu também andas em crise, mas não económica: viajas no meu táxi, sem pressa, para um destino bem partilhado, alheia ao taxímetro e a tua roupa parece cara, caprichosamente conjugada. 

Mas esses olhos demonstram tristeza e os teus dedos brincam ás escondidas com as mangas do casaco. 

E franzes as sobrancelhas e arqueias as comissuras formando as correspondentes covinhas em ambos os lados do queixo. 

Desconheço o motivo dessa tristeza ainda, quem sabe, tu a desconheças também ou nem sequer tenhas reparado nela. 

 

Fazem falta motivos para nos deixarmos levar pela melancolia no que dura um trajecto de táxi? 

Segundo o teu ponto de vista, as luzes de Natal induzem a isso, o aquecimento do meu táxi evoca lareiras, a música que agora soa inclui violinos e eu apoio o teu silêncio. 

Há um mês foi Natal e por vezes e ás vezes as reuniões familiares provocam um efeito adverso ao desejado, mais de espelho interior, reflexivo, que de exibicionismo divertido. 

Todo o teu ambiente, enfim, poderia ser propício para te deixares levar por um pranto anestesiado, monótono, linear, sem lágrimas. 

Chorar em seco por simples e puro amor. 

Crer-te suave e frágil por um instante. 

Também não é tão grave.
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