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Travo.
Refiro-me ao táxi.
À direita, um enorme cartaz com uma mulher de aspecto saudável (sorriso natural, sem olheiras), entusiasma-me a tornar-me banqueiro.
Insiro na ranhura (para mim, tudo é sexo) do painel do auto-rádio um CD dos “Depeche Mode”: começa a soar “Enjoy the silence”.
Aumento o volume até ao limite dos meus tímpanos.
Retomo a marcha, viro à esquerda sem me interrogar porquê e travo numa passadeira para que atravessem dois homens carregados com sacos do El Corte Inglés.
Um deles olha-me e levanta as sobrancelhas.
Refiro-me ao táxi.
À direita, um enorme cartaz com uma mulher de aspecto saudável (sorriso natural, sem olheiras), entusiasma-me a tornar-me banqueiro.
Insiro na ranhura (para mim, tudo é sexo) do painel do auto-rádio um CD dos “Depeche Mode”: começa a soar “Enjoy the silence”.
Aumento o volume até ao limite dos meus tímpanos.
Retomo a marcha, viro à esquerda sem me interrogar porquê e travo numa passadeira para que atravessem dois homens carregados com sacos do El Corte Inglés.
Um deles olha-me e levanta as sobrancelhas.
DEPECHE MODE - ENJOY THE SILENCE
No estribilho, com a minha voz dissonante, começo a cantar: All I ever wanted/all I ever needed/is here… in my arma.
O caminhar de uma mulher adulta dá-me a ideia para o início de uma possível história.
Leva uma saia comprida e larga com estampado de flores.
Saco do bloco de notas e, aproveitando outro semáforo, escrevo:
“O roçar das suas pernas ao andar geram calor.
Esse calor poderia aproveitar-se como efeito de estufa para que as flores da sua saia cresçam.
Em cada passo, as flores seriam mais e maiores”.
Rasgo a folha, amarroto-a e atiro-a para o assento traseiro.
Não gosto.
Volta o estribilho: Words are very unnecessary / they can only do harm…
Acendo um cigarro.
Ao longe, uma mulher “encalhada” na borda do passeio levanta um braço.
Aproximo-me.
Ela continua com o braço levantado olhando para o meu táxi.
Creio que quer algo.
Detenho-me a seu lado e baixo a música.
Inclina a cabeça até ao buraco da janela e diz-me:
- Está livre?
– Eu? Pergunto surpreso; sorriso malicioso.
– O seu táxi, diz-me séria.
– Qual táxi?
– Isto é um táxi, certo?
Olho para o taxímetro; a mulher tem razão, mantenho o ‘aviso’ de livre.
– Sim, sim, desculpe.
Entre.
– Não sei se me hei-de fiar…
- Entre, entre.
A mulher abre a porta traseira e mal se senta ajusta o cinto de segurança.
Ela continua com o braço levantado olhando para o meu táxi.
Creio que quer algo.
Detenho-me a seu lado e baixo a música.
Inclina a cabeça até ao buraco da janela e diz-me:
- Está livre?
– Eu? Pergunto surpreso; sorriso malicioso.
– O seu táxi, diz-me séria.
– Qual táxi?
– Isto é um táxi, certo?
Olho para o taxímetro; a mulher tem razão, mantenho o ‘aviso’ de livre.
– Sim, sim, desculpe.
Entre.
– Não sei se me hei-de fiar…
- Entre, entre.
A mulher abre a porta traseira e mal se senta ajusta o cinto de segurança.
– Para a Rua Vasques Mesquita.
Com o nome Rua Vasques Mesquita ocorre-me outra história.
Pego no bloco de notas.
– Perdoe-me, mas tenho pressa.
Guardo o bloco.
Iniciamos a viagem.
A meio do caminho, depois de múltiplas nuances, dou conta de que me esqueci de accionar o taxímetro.
A mulher nem sequer repara no meu despiste.
Parece nervosa.
Vejo-o nos olhos.
O seus olhos olham, mas como sem olhar.
Aqui há outra história.
Com o nome Rua Vasques Mesquita ocorre-me outra história.
Pego no bloco de notas.
– Perdoe-me, mas tenho pressa.
Guardo o bloco.
Iniciamos a viagem.
A meio do caminho, depois de múltiplas nuances, dou conta de que me esqueci de accionar o taxímetro.
A mulher nem sequer repara no meu despiste.
Parece nervosa.
Vejo-o nos olhos.
O seus olhos olham, mas como sem olhar.
Aqui há outra história.
24JUL2011
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