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Nos meus quase oito anos de blog atingi todos os extremos da psique imaginável.
Já me chamaram, num bar, fascista e comunista, uma leitora chamou-me arrogante e chato num pequeno intervalo de apenas três ou quatro sorvos de Chivas, outra ofereceu-me a sua cama via Whatsapp e ao abrir-me a porta lançou-me à cara um DVD dos Radiohead (que certamente ainda conservo).
Já me chamaram misógino, machista, efeminado, estulto (tive que ir ver ao dicionário), maníaco, sociopata de sofá, inventor dos “tomates”(?), liberticida, ameaçaram-me de morte "prá" aí umas oito vezes (sete das quais eram mulheres), partiram-me um espelho retrovisor do meu táxi com uma pedra envolta numa nota escrita:
(“Não te queixes pelo espelho.
O meu coração também está partido em mil pedaços por tua culpa”, dizia a nota).
Recebi quatro notificações policiais (uma delas por tentar atropelar uma mulher numa avenida da Cidade do México; país onde nunca estive), quatro usurpações de identidade (duas no Twitter, uma no Facebook e outra num daqueles sites onde se procura "carne", digo, parceiras), dei um autógrafo numa nádega de um indivíduo que podia ser meu pai, quiseram convidar-me para uma sala de “chuto”, heroína, maconha, cogumelos…, speed, êxtase, pastilhas, tartes de queijo, multas, viagens, visitas ao Zoo, putas, travestis e incluso vapores de gasolina (uma tipa insistiu em pagar-me cinquenta euros de gasolina, mas o meu táxi é a diesel), autografei livros que nunca escrevi, num convento, numa sala de espera da urgência de um hospital, em dois comissariados de polícia, num centro de planeamento familiar, numa oficina de chapeiro clandestina, em diversos semáforos, do meu táxi para outro, (o que se consegue fazer com o que se não fez).
E com todo este dinheiro que não ganhei ao longo destes anos, mais de metade foi gasto em terapias e o restante em psicofármacos, álcool, computadores portáteis (esqueço-os nos bares depois de meia dúzia de “entornos”, ou que estropio, derramando néctares, que deveriam ser imperdíveis, sobre os teclados, multas e como não podia deixar de suceder nas mulheres de “bom” porte, suporte, decote, pacote e rapidez de movimentos de vaivém, que eu por aí desempacote.
Nada de fracote.
Mas se voltasse a nascer, não duvidem
nem um segundo: faria exactamente o mesmo.
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2 comentários:
e para além de tudo tem um 'bicho' que torna quase impossível comentar
:)
Tétisq
É necessária a agitação para esquecermos o quotidiano e, como o "prazer" ainda se não paga... diluemo-lo por aí.
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