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Só descansava para dormir e fazia-o apoiado na parte do muro
que tinha erguido na anterior jornada de trabalho.
Comer, comia, com uma mão, alguma fruta que agarrava da sua abandonada horta, enquanto com a outra prosseguia com o seu labor.
O dia, de que nos ocupamos, fez o que fazia cada dia ao terminar, ao esconder-se o sol, o seu rotineiro trabalho: afastar-se uns passos e olhar o resultado a partir de uma perspectiva de pinacoteca.
Como de costume, franziu a testa e, como quase sempre, colocou algum problema coçando a sua suada cabeleira e resmungando algo que nem ele sabia o que era.
Mas desta vez havia algo diferente: o muro já estava acabado.
Tinham-se acabado as maratonas de “tijolamento”; acabaria por dormir o necessário.
Acabou-se, supôs ele, ao acercar-se para confirmar a estabilidade do muro e a necessidade de revogar de novo algumas partes com cimento e a curiosidade dos vizinhos, que lançavam palpites sobre a profunda razão pela qual o estranho vizinho tinha decidido, apesar de não ter uma moradia a menos de cem metros em redor, alçar uma parede de cinco metros, num bairro em que a tranquilidade reinava desde o final da revolta dos anti-Terry Richardson e, além disso, dormir mal debaixo da fria Lua, em lugar de fazê-lo no aconchego dos seus cobertores.
Feitos os diversos testes e comprovações e achando-se razoavelmente satisfeito (o seu “razoavelmente satisfeito”, não era como o do resto dos mortais; chamar-lhe exigente era um eufemismo), entrou em sua casa, respirou o pó que impregnava o ar e dirigiu-se, a passo lento, para a cozinha.
Comer, comia, com uma mão, alguma fruta que agarrava da sua abandonada horta, enquanto com a outra prosseguia com o seu labor.
O dia, de que nos ocupamos, fez o que fazia cada dia ao terminar, ao esconder-se o sol, o seu rotineiro trabalho: afastar-se uns passos e olhar o resultado a partir de uma perspectiva de pinacoteca.
Como de costume, franziu a testa e, como quase sempre, colocou algum problema coçando a sua suada cabeleira e resmungando algo que nem ele sabia o que era.
Mas desta vez havia algo diferente: o muro já estava acabado.
Tinham-se acabado as maratonas de “tijolamento”; acabaria por dormir o necessário.
Acabou-se, supôs ele, ao acercar-se para confirmar a estabilidade do muro e a necessidade de revogar de novo algumas partes com cimento e a curiosidade dos vizinhos, que lançavam palpites sobre a profunda razão pela qual o estranho vizinho tinha decidido, apesar de não ter uma moradia a menos de cem metros em redor, alçar uma parede de cinco metros, num bairro em que a tranquilidade reinava desde o final da revolta dos anti-Terry Richardson e, além disso, dormir mal debaixo da fria Lua, em lugar de fazê-lo no aconchego dos seus cobertores.
Feitos os diversos testes e comprovações e achando-se razoavelmente satisfeito (o seu “razoavelmente satisfeito”, não era como o do resto dos mortais; chamar-lhe exigente era um eufemismo), entrou em sua casa, respirou o pó que impregnava o ar e dirigiu-se, a passo lento, para a cozinha.
... CONTINUA


1 comentário:
Se eu soubesse o que sei hoje teria ido para fotógrafo, sabe-a toda, o Richardson.
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