O VIDEIRINHO

quarta-feira, abril 09, 2014

JOGADOR

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Apaixonava-o jogar xadrez e transportava sempre, num dos bolsos, um pequeno tabuleiro portátil com as respectivas peças. 

Assim que subiu para o comboio, travou conversa com o companheiro de viagem que ocupava o assento situado em frente ao seu e instou-o a jogar uma partida. 

O convidado negou-se. 

— Conheço muito pouco, quase nada, do jogo ciência — respondeu-lhe cortesmente. 

Então ele insistiu com tanta porfia que conseguiu convencer o renitente viajante. 

Iniciou-se a partida. 

Como o seu forçado oponente jogasse de forma inusitada, extravagante, perdeu a serenidade, caiu no erro, e ao quarto movimento, deixou um cavalo à mercê das peças inimigas. 

O seu adversário, talvez distraído, ia passar ao lado da jogada que o favorecia, mas ele, cavalheirescamente chamou-lhe a atenção. 

 


Coma o cavalo, disse-lhe, assinalando a peça indefesa. 

O cavalo? 
Essa peça é uma cavalo? 
Quere que eu o coma? 

Sim. 
É imperativo que o coma. 
Não quero vantagem. Por favor, coma-o. 

Se o senhor o pede tão ferverosamente…, disse com voz submissa. 

Pegou na peça que lhe assinalaram e engoliu-a de um trago. 

Nesse instante levantou-se pressuroso, aproveitou a baixa velocidade do comboio, que se acercava de uma estação, saltou para terra e afastou-se em ligeiro trote, relinchando, por uma vereda que seguramente o conduzia a um estábulo por perto. 
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