Os meus monstros não são originais: visitam-me sempre de
madrugada.
Os meus monstros sempre viram muito cinema mau: entram sempre pela varanda.
Os meus monstros começam pela sala: riscam o parquê, estragam a minha biblioteca e violam as minhas janelas.
No corredor mordem os quadros e lambem a textura rugosa das paredes.
E sempre que entram no meu quarto encontram-me sentado na cama, abraçado aos meus joelhos, sereno como uma estátua, com um sorriso do tamanho de uma dissimulação e com os meus olhos cravados em todos eles, que dançam em meu redor e riem, e gritam e enchem de baba os meus lençóis.
Quando se aborrecem, um deles agarra-me pelo pescoço e maldiz-me enchendo a minha cara com o seu bafo envelhecido.
E, tal como vêm, se vão.
Quando o ruído dos meus monstros cessa, começa o meu: um pranto infantil, uma tremedeira de todo o meu corpo que agita a cama, um grito de dor interior que greta as paredes.
E a certeza de que voltarão a visitar-me muito brevemente; voltarão a destruir o que me pertence e a encontrar-me tranquilo sobre o meu colchão, engolindo o medo que depois vomitarei.
Porque os meus temores não são originais.
Os meus monstros sempre viram muito cinema mau: entram sempre pela varanda.
Os meus monstros começam pela sala: riscam o parquê, estragam a minha biblioteca e violam as minhas janelas.
No corredor mordem os quadros e lambem a textura rugosa das paredes.
E sempre que entram no meu quarto encontram-me sentado na cama, abraçado aos meus joelhos, sereno como uma estátua, com um sorriso do tamanho de uma dissimulação e com os meus olhos cravados em todos eles, que dançam em meu redor e riem, e gritam e enchem de baba os meus lençóis.
Quando se aborrecem, um deles agarra-me pelo pescoço e maldiz-me enchendo a minha cara com o seu bafo envelhecido.
E, tal como vêm, se vão.
Quando o ruído dos meus monstros cessa, começa o meu: um pranto infantil, uma tremedeira de todo o meu corpo que agita a cama, um grito de dor interior que greta as paredes.
E a certeza de que voltarão a visitar-me muito brevemente; voltarão a destruir o que me pertence e a encontrar-me tranquilo sobre o meu colchão, engolindo o medo que depois vomitarei.
Porque os meus temores não são originais.
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1 comentário:
Eu tenho medo de coelhos.
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