O VIDEIRINHO

terça-feira, abril 08, 2014

OS MEUS MONSTROS

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Os meus monstros não são originais: visitam-me sempre de madrugada. 

Os meus monstros sempre viram muito cinema mau: entram sempre pela varanda. 

Os meus monstros começam pela sala: riscam o parquê, estragam a minha biblioteca e violam as minhas janelas. 

No corredor mordem os quadros e lambem a textura rugosa das paredes. 

E sempre que entram no meu quarto encontram-me sentado na cama, abraçado aos meus joelhos, sereno como uma estátua, com um sorriso do tamanho de uma dissimulação e com os meus olhos cravados em todos eles, que dançam em meu redor e riem, e gritam e enchem de baba os meus lençóis. 

Quando se aborrecem, um deles agarra-me pelo pescoço e maldiz-me enchendo a minha cara com o seu bafo envelhecido. 

E, tal como vêm, se vão. 

Quando o ruído dos meus monstros cessa, começa o meu: um pranto infantil, uma tremedeira de todo o meu corpo que agita a cama, um grito de dor interior que greta as paredes. 

E a certeza de que voltarão a visitar-me muito brevemente; voltarão a destruir o que me pertence e a encontrar-me tranquilo sobre o meu colchão, engolindo o medo que depois vomitarei. 

Porque os meus temores não são originais.
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1 comentário:

Táxi Pluvioso disse...

Eu tenho medo de coelhos.