O VIDEIRINHO

quinta-feira, janeiro 21, 2010

PINTURAS RUPESTRES

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Nesta hora portuguesíssima, que cada um vê num relógio diferente, há muitos cidadãos que estão a trepar ás paredes e outros que se dedicam a conspurcá-las, escrevendo nelas.

Qualquer um que olhe os muros da sua pátria, pode fomentar a sagrada propensão para a leitura, mas concomitantemente não pode desenvolver o seu estranho impulso de escrever, já que quase todos os espaç
os urbanos estão ocupados.

Sempre se falou do evidente perigo social que con
stitui um louco com um lápis, mas o mau é que agora o número de loucos, de todas as cores políticas, é idêntico ao dos lápis de cores.

Para maior confusão, entre eles infiltraram-se alguns artistas verdadeiros, que acreditam que a sua “favela” é o “ar.co” e para dar nas vistas e darem-se a conhecer pretendem sobrevoar sobre a marabunta de borradores de fachadas.



O fenómeno, que já é antigo, está sempre pujante, de maneira que as Câmara Municipais, cada vez se vêem mais obrigadas a destinar verbas para a limpeza de eventuais obras de arte.

É uma maneira de gastar o dinheiro e dar-lhe visibilidade, já que, o que embolsam, só brilha nos bolsos do destinatário.

Já sabemos que desde que se deu em dizer que todos os génios têm um parafuso solto, não há chanfrado que não se creia um génio.

Antes, quero dizer na inacabada transição para a actualidade, abundava a perspicácia nos chamados “grafiteiros” , mas agora o que abunda, são os desbotados.




Houve tempos em que os transeuntes mais liberais podiam sorrir ao ler os mútuos dictérios políticos, incluindo os metafísicos.

Não deixava de ser uma forma de transmitir o pensamento do autor desconhecido.

Nunca mais esquecerei daquele graffiti que dizia, “A vida é um barco, assinado: Caldeirão de Merda”.

Foi uma lástima apagá-lo das paredes, mas também foi um gasto.

Limpar as cidades custa muito dinheiro.

Não sei se menos do que educar os cidadãos, incluindo os loucos armados de lápis grafiteiros.

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2 comentários:

Táxi Pluvioso disse...

A arte de uns é o lixo de outros. Dentro de mil anos, tanto uma, como o outro, valerão milhões.

xistosa, josé torres disse...

Táxi Pluvioso

Aqueles trogloditas que no passado andaram por Foz Côa, pensaram o mesmo.