O VIDEIRINHO

quarta-feira, janeiro 06, 2010

ESCAPATÓRIA

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Como já foi abordado por aqui, penso eu, quais serão as tuas motivações para “transar” ou copular?

O sexo pode realizar-se com a finalidade de cumprir distintas obrigações e nem sempre são estas a procriação e o prazer.

De facto, o mesmo pode ocorrer com a comida ou a televisão, por exemplo, havendo pessoas que utilizam o sexo para se refugiarem das “porcas misérias” da sua vida diária, ou para se evadirem dos seus problemas. J

á se comprovou que o ser humano tem uma imensa capacidade para evadir-se.

Ainda que isto possa cumprir uma função positiva em situações ameaçadoras, também tendem a conduzir a sérias complicações, paradoxalmente.

A evasão cumpre a função de actuar como mecanismo de defesa.

Apresenta-se quando uma pessoa sente algum tipo de conflito (angústia, temor, culpabilidade …) com respeito a uma determinada situação e actua como se esse conflito não existisse.

É um paradoxo que permite à pessoa continuar com a sua vida sem ter que administrar a situação conflituosa.

Inconscientemente, crê que ao ignorá-la não tem necessidade de enfrentá-la.

A forma mais comum de evasão é mediante o consumo de drogas.



Não obstante, não é a única maneira.

Há alturas em que a pessoa consegue evadir-se sem necessidade de qualquer substância química.

Há indivíduos que desenvolveram a habilidade para se desligarem da sua realidade vendo televisão, navegando pela Internet, comendo … e sim, também, praticando sexo.

Pode-se dizer que para este tipo de pessoas é irrelevante com quem têm relações sexuais.

O importante é ter oportunidade de evadir-se e esquecer-se da sua quotidiana realidade.

Por isso, quanto mais inculpada é a necessidade de evasão, maior será a compulsão para o sexo.

Neste sentido, o sexo pode compreender uma imensa variedade de práticas.

Pode tratar-se, por exemplo, de actividade de masturbação.

No entanto, pode envolver outra ou outras pessoas ...

Obviamente, na medida em que esta situação se repete, o grau do problema é maior.

Geralmente o paciente – é mais comum em homens do que em mulheres – procura uma relação extramarital ou interessa-se por visitar prostitutas, para dar um par de exemplos.



Cria uma espécie de vida dupla, que lhe permite alhear-se dos conflitos da sua vida quotidiana e das frustrações da sua existência.

O grande paradoxo, não obstante, é que se a princípio a pessoa actua para se iludir ao enfrentar uma situação problemática, ao não fazer-lhe frente, unicamente o que consegue é complicar a sua vida ainda mais.

Recorde-se que a omissão é uma acção passiva e tem consequências.

Podem até aparecer situações de sofrimento extremo devido à tendência de se evadir e esconder os problemas.

Certas ocasiões, quando voltam à realidade – para pô-lo deste modo – deparam-se que agora os seus problemas são maiores e que têm de sufragar os danos ocasionados pela sua tendência à evasão.

Acabam entendendo que a evasão não representa nenhuma solução real.

Dão-se, então, conta da necessidade de modificar o uso que fizeram do sexo.



Para tua introspecção:

- Alguma vez usaste o sexo para te refugiares dos problemas?

– Podes imaginar que o sexo se converta numa espécie de droga?

– Conheces alguém que o faça?

– Qual a tua experiência sobre isto?




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