O VIDEIRINHO

domingo, agosto 23, 2009

JAMAICA, TERRA de AQUILES

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Não me recordo do nome daquele cavalheiro inglês que recusou um convite dos seus amigos para assistir ás corridas de cavalos de Eton:

- Nem sabia que havia cavalos que correm mais que outros (disse ele).

Se não se tem um interesse especial por nenhum dos contendedores , também o atletismo pode tornar-se enfastiante.

Redime-o o orgulho patriótico, inclusive o biológico e comprovar até que ponto pode chegar a humana natureza.

A essência do jogo consiste em superar alguns obstáculos que não existiam antes de termo-los proposto.

Por isso as crianças jogam para ver quem mija mais longe.




O mais alto e mais forte.

Usain Bolt, o jamaicano, é o homem mais rápido do mundo nos cem e duzentos metros planos, embora há quem diga que não é deste planeta.

Creio que já de pequenino lhe chamavam “o relâmpago”, mas certo, certo, é que bateu as duas marcas que se consideravam estáveis até ao século XXII.

A outros chamávamos-lhes ”filhos do vento” até recentemente, mas a sua glória levou-a o vento.

O apaixonante, sobretudo para quem tem paixão pelo atletismo, é saber se há limites para o nosso carácter provisório na natureza.





Continuar-se-ão a bater as marcas?

Chegará o momento em que coincidirá a partida e a chegada?

Usain Bolt, nos seus vinte e dois anos, é o Aquiles contemporâneo de pés ligeiros.

Um prodigioso mecanismo, sem dúvida, que tem muitas pistas pela frente e que segundo os entendidos, só poderá ser superado por ele próprio.

Isto de correr em onze centésimas menos que os outros é uma enorme façanha, já que todos os seus rivais tinham a mesma pressa que ele.

Parece que o progresso moral não corre á mesma velocidade que o físico, mas não é disso que falo agora, mas sim do rapaz da Jamaica que corre que se pela.

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4 comentários:

Táxi Pluvioso disse...

Ainda ouviremos "é bom, não foi".

Carlos Rebola disse...

Amigo José Torres

Quem corre assim, só pode ter uma enorme motivação e força de vontade. Ele deve correr ao encontro de alguma coisa muito importante ou então deve fugir de alguma coisa muito má, ou as duas ao mesmo tempo, uma coisa é certa para onde corre ou do que foge, é mais forte que ele, porque vai continuar a tentar ultrapassar-se.
Seria preciso desconstruir o contínuo espaço-tempo, para percorrer qualquer espaço sem tempo. Onde estará o limite? Será muito perto de um zero. A questão é, de qual zero?

Um abraço
Carlos Rebola

xistosa, josé torres disse...

Táxi Pluvioso

Ou chegar antes da partida.
Caminhamos para o impossível.
Ou melhor, para o que custa crer e ver, mesmo sem fé e com miopia elevada.

xistosa, josé torres disse...

Carlos Rebola

Parece que foge da sua moralidade.
Só assim se explicam as enormes, ou melhor as pequenas marcas.
Corre-se sempre mais quando se foge de algo, do que quando se corre pelo correr, ou pela obtenção duma qualquer gratidão.