As pernas do Cristiano Ronaldo foram seguradas em 100 milhões de euros, a 50 cada uma.
Desde os tempos de Marlene Dietrich que nenhumas extremidades inferiores haviam alcançado semelhante valoração, incluindo a de aquele Aquiles de pés musicais que foi Fred Astaire.
O Real Madrid precaveu-se do evidente risco que supõe que qualquer borra-botas ou sarrafaçal lesione o “bota de ouro”.
A operação precipitou-se ao verem as entradas que os infiéis da Juventus fizeram a Cristiano Ronaldo.
Foram a ele, mais do que à vitória, como Santiago aos mouros.
Temos que compreender o desespero de qualquer jogador dum montão deles, quando enfrentam uma reunião futebolística, chame-se Di Stéfano, Pelé, Eusébio, Matateu, Cruyft, Maradona ou Figo.
“Este gajo, por muito bem que jogue, não me vai deixar sem o prémio”, pensa o seu marcador.
Ou seja, o que alguém disse (Nietzsche?), “o rancor por excelência”.
A agressão ao superdotado fez escola em todo o futebol e o basco “Goicoechea” tem mais alunos do que painço.
Trata-se de carregar aquele futebolista que em qualquer momento pode deitar por terra o trabalho de muitos medíocres e para isso há que empregar toda a artilharia do jogo subterrâneo.
Um problema de zelo, semelhante ao que mantêm algumas vedetas, acreditando-se com isto na valorização das pantorrilhas (barriga das pernas) mais sublimes.
Por que a apólice de Leo Messi ou a de Kaká têm que ser mais pequenas?
Em última instância também haverá que concertar alguma sobre a massa encefálica de “don” Fiorentino Pérez ou do senhor Laporta, para prever que se perca a cabeça na hora de assinar contratos.
De momento os que se asseguram são das grandes contratações.
Uma tarde, um qualquer pode arrombar pernas da equipa contrária.
O futebol é um jogo, mas com o dinheiro não se joga.
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2 comentários:
Amigo José Torres
Tempos houve em que cortar o dedo indicador da mão direita, o tal que puxava o gatilho, livrava da guerra... hoje a guerra é outra, pernas de jogo ou jogo de pernas.
Abraço
Carlos Rebola
Carlos Rebola
Quem tem boas pernas que se cuide.
Antigamente eram a das senhoras, as que se apreciavam.
Hoje são as dos homens que se depreciam, ou podem depreciar.
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