
Em certas alturas da vida torna-se-nos muito desagradável fazer as malas e maletas.
É que isso de reunir uns trapitos indispensáveis, faz-nos pensar que quiçá seja a última vez que se congregam no escaparate íntimo do nosso portátil enxoval.
Sempre houve duas atitudes viajantes: a dos que a consideram como uma aventura (trota-mundos ou vagabundo) e a de quem está convencido de que é uma perturbação.
Já pertenci a ambas em diferentes épocas da minha vida.
Em tempos gostava de viajar e agora, quando já não tenho tempo para nada, prefiro ficar quieto.
Ao que mais aspiro, para além de sopas e descanso, é deslocar-me até um sítio onde possa voltar a pé até minha casa.

A Ministra da Saúde, Ana Jorge, que até nos cai muito bem, ofereceu-nos uma incómoda viagem: “há que nos prepararmos para uma situação pior”,
disse, referindo-se à gripe A, que confio que não observe estritamente a ordem alfabética.
A pandemia económica, segundo os “experts” que já demonstraram a sua inexperiência ao não prevê-la, vai mostrar o seu máximo rigor no ano que vem, mas a gripe, coincidência das coincidências, também escolheu o mesmo ano.
Salve-se quem possa.
Ou nos metemos na cama ou não poderemos sair de casa porque não temos um euro e já se sabe que uma pessoa sem dinheiro é um cadáver que anda.
Há que nos prepararmos para passar as “passas do Algarve”, mesmo que não nos tenhamos deslocado para lá.Deus aperta, mas não afrouxa.
Não adianta adiantar (é propositada a redundância) acontecimentos desgraçados, se não fosse por mais nada, é que ainda estão para vir.
De momento, as praias registam um colmado ou congestionado até à bandeira, ainda que esta seja de alerta vermelho.
Meteres-te no mar é uma forma de evasão ou fuga.
Pena é que dos sessenta para cima não seja aconselhável molharmo-nos até à barriga.
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2 comentários:
Amigo, Xistosa:
Vou meter-me debaixo d´água, no mar.
Dizem que a gripe H1, não se dá bem em ambientes húmidos.
* Muito catita, também, o seu buraco negro.
É pena que outros (banqueiros e outros trapaceiros) não sejam também encurralados...
com a mão na massa!
Um forte abraço.
Isto vai ser bonito. Os azarados morrerão. A ministra não pode fazer mais nada excepto aparecer na TV, porque os portugueses poucas capacidades têm para fazer melhor.
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