
A muitos seres humanos parece-lhes uma grande contrariedade terem vindo ao mundo, mas a um maior número, parece-lhe pior ter que abandoná-lo.
Agora, nos países desenvolvidos, que são bastante menos dos que assim são designados, estão a ensaiar umas pastilhas para deter a velhice.
São umas pílulas de veemente cor roxa chili e já foram experimentadas com grande êxito em ratos.
Procuram-se anti-oxidantes nas farmácias de serviço para que ninguém possa dizer: “vencido pela idade, encobri a minha espada” e a verdade é que se estão a conseguir importantes avanços.
Agora vive-se mais, ou melhor dito, duvida-se mais, mas desgraçadamente não se alcançou a maneira de prolongar a juventude, nem o divino tesouro da maturidade, mas sim a decrepitude.

Uma realização imensa da ciência, que torna possível que, quando alguém está feito num espantalho continue por cá mais um largo tempo.
Há versados em fisiologia que calculam que os seres humanos, com os quais guardam certa semelhança, estão programados para viver 120 anos e presenciar muitas coisas relevantes de ministros, vereadores do Urbanismo e muitos campeonatos da Liga (Sagres ou de qualquer outra marca, desde que se beba).
Se eles estiverem certos, chegará um tempo em que todas as gerações anteriores se consideram integradas por frustradas.
Dir-se-á que os chamados “mais velhos da aldeia, ou da localidade”, que sabem sempre predizer se fará mais calor do que nunca, morrerão em plena juventude.

De momento temos que agradecer a quem nos proporcione, ainda que a destempo, a receita da longevidade, que tanto preocupou o Dr. Fausto (ou aqui).
Os sabichões em geriatria, que quase sempre morrem antes dos boémios, recomendam comer pouco, dormir ás escuras e manter a curiosidade.
O mesmo que aconselhava o grande Azorin, o qual visitei no cemitério de ORIHUELA – Alicante, onde estão enterrados os 14 republicanos oriolanos e da Veja Baja, fuzilados em 17 de Novembro de 1947 pelos fascistas.
Mas como dizia, visitei quando já era uma múmia.
Egrégia, mas múmia.
.
Sem comentários:
Enviar um comentário