O VIDEIRINHO

quinta-feira, julho 01, 2010

TOMATES DE RONALDO

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Tirada daqui

Os golos são como o ketchup, quando aparecem, chegam todos juntos”.

Parece-me que foi assim que se exprimiu.

A frase, uma maneira prosaica de destapar o frasco das essências, é uma reflexão sul africana de Cristiano Ronaldo.

Contra a selecção espanhola, o molho do chefe português foi pardo e insípido, a modos com o que se passou em todo o Mundial.

Não houve tomates, o frasco continuou tapado e o conteúdo fora de prazo.

O “capitão” foi incapaz de dobrar o Cabo da Boa Esperança ao leme da nave de Queiroz e imitar os feitos gloriosos dos seus antepassados.

O marinheiro de água doce volta ao porto, com as velas dobradas e enrugadas e no porão um único golo, um golo anedótico num auto-passe involuntário com a corcunda, à Coreia do Norte, o pior conjunto do torneio.

CR7, a versão internacional de CR9, é tão inconsequente nas grandes pelejas como nos mares dos clubes.

A ansiedade, o excesso de responsabilidade e a competitividade pessoal garrotam as pernas mágicas de um dos grandes craques do panorama planetário.


Naufrágio de "Os Navegadores"

Contra Espanha nem sequer lhe cabe a desculpa de actuar em contradição com as suas apetências.

Desta vez Queiroz fez caso das suas insistentes queixas e deslocou-o do eixo de ataque onde tinha proclamado que não gosta de jogar.

A nossa estrela esqueceu-se pura e simplesmente que na sua grande época no Manchester United, Ferguson utilizava-o, nas grandes ocasiões como avançado e não como extremo.

“Cristiano deve estar em função do grupo e se tiver que jogar como guarda-redes, fa-lo-á”, prognosticou o seleccionador depois da igualdade contra o Brasil.

Uma declaração de intenções convertida em papel molhado debaixo da chuva diluviana da Cidade do Cabo.

Sobre o empapado relvado do estádio Green Point recuperou o seu poleiro apetecível.

Teve Hugo Almeida como parceiro no meio e Simão Sabrosa, nas poucas ocasiões em que a equipa gozou da posse da bola, para acabar com a sua solidão nos limites da área rival, outra das suas reivindicações.




Actuou livre sem que os defesas espanhóis lhe dessem oportunidade de virar-se ao receber a bola, nem de partir no um contra um um.

Ramos, Puyol e Piqué, neutralizaram-lhe as arrancadas, as acelerações e mudanças de velocidade, as facetas em que costuma ser letal.

POUCO RENDIMENTO

Encarregou-se de marcar os livres com o seu estilo pistoleiro, como quando colocou em apuros Casillas.

Tentou aproveitar os lançamentos compridos de Eduardo.

Intentou provocar faltas, tiradas do reportório teatral de todos os jogadores de futebol, quase sem excepção, despreocupou-se das incursões dos alas espanhóis e desbaratou a sua liberdade de movimentos.

Demasiado pouco para uma estrela fulgente que tinha anunciado a sua intenção de explodir no Mundial.

Com o seu capitão por estibordo e bombordo pela proa, os “Navegantes” jogaram encolhidos à espera de surpreenderem com um golpe directo, vertical, rápido, num roubo de bola.


Comidas que fizeram(fazem) mal a C. Ronaldo


Pepe repetiu a função, como contra o Brasil, diante de R. Carvalho e Bruno Alves, secundados por Meireles, em trabalho de desbobinarem o novelo espanhol e fechar o passe interior.

Na fase de contenção, a formação “naval” centrou-se num 4-1-3-2 que até chegou a 5-4-1, na sequência de maiores vagas.

O dispositivo foi concebido na procura da transição rápida quando ganhassem a bola e culminar a jogada com tiros de meia distância, a cargo de Tiago, ou centros de Coentrão e Meireles pelos flancos na direcção da cabeça de H. Almeida.

Queiroz leu as cartas de marear que Mourinho utilizou no “naufrágio” do Barcelona, mas tudo foi por água abaixo, com a entrada de Llorente, um avançado à antiga.

Então, quando a fruta estava madura, foi mais do que evidente que os tomates de Ronaldo estavam a cair de podre.

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1 comentário:

Táxi Pluvioso disse...

Ora, ora, a esperança é a última a morrer, ainda podemos vencer a Espanha.