O VIDEIRINHO

terça-feira, janeiro 07, 2014

BELEZURAS FRIAS

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Inquietam-me as mulheres que vêm do frio, do Norte da Europa ou do Leste. 

Quando alguma delas roçagam por mim, com o seu rosto de cristal de Bohemia e olhar antibalas, olhos gélidos, inexpressivos, de cor azul gelo, quase sempre loiras, graves quase sempre, tento olhar mas com medo de ser visto. 

Acho que, como digo, belíssimas, duma perfeição quase desapaixonada, mas por sua vez parecem-me distantes, como se todas elas escondessem um muro intransponível e electrificado que não deixa saltar para o outro lado das suas costas. 

Atraem-me, mas metem-me medo. 

Quiçá por isso é que me atraem, suponho. 


Impossível compará-las com as nativas do outro lado do charco, as de genes cálidos: brasileiras, colombianas, cubanas, de beleza muito diferente da nórdica, mas belas também e sem dúvida, ao contrário das que vêm do frio, expressivas ao máximo, com aqueles olhos que parecem sempre “procurar alimento”, gestos ardentes, sentimentos que se escutam do lado de fora pelo poder da sua pulsação. 

São tão belas e tão ardentes que me atraem, mas ao mesmo tempo metem-me medo. 

Talvez por isso me atraem, suponho.

E por isso estou, entre o frio e o calor, entre atracções e diferentes medos que não são mais que uma mesma atracção enfatizada e um mesmo medo ao desconhecido. 

E o desconhecido está em mim, suponho. 

Eu sou atérmico.
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