O VIDEIRINHO

sábado, janeiro 11, 2014

TREPAR (SALTAR)

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É este individualismo atroz o que me aterroriza: eu ocupo-me do meu e dos meus, que também ‘são’ eu. 

O meu, neste caso, é o dinheiro, mas também a viciante e crescente sensação de poder que o envolve. 

À maior sensação de poder, mais amplo será o muro que os isola do ruído. 

Já podes gritar para o outro lado, inclusivamente matar-te, que o muro aguentará e protegerá “o meu” e “o dos meus”, que é o único que importa. 

Ao invés do que possa parecer, os realmente “meus” não são tantos, apenas eles sozinhos e a sua prole. 

Aliás, militam num grupo porque é assim que se faz: entrando primeiro por baixo ou por amiguismo. 

Dedicam-se depois a fazer favores a todo aquele que está melhor posicionado (aí não se importam de ser servis, chamam-lhe investimento a longo prazo). 

 

E enquanto os de “mais acima” vão ganhando pouco a pouco a sua confiança, eles vão guardando num baú, com chave, os trapos sujos dos outros, nunca se sabe quando serão necessários. 

E se os seus falsos mentores ascendem a outros escalões no público ou no privado, tocará o telefone: 
- O que há para mim? 

Não esqueças nunca quem te fez um favor, porque em algum dia terás que lho devolver (excepto se o outro acaba no cárcere: aí negarão, debaixo juramento, ter-te chamado “amigo do peito”). 

Entretanto à medida que trepam no poder, também crescerá a sua sensação de impunidade. 


Para isso se inventaram os indultos (quem assinar uma confissão de culpa, em que assumiu ter saído ilegalmente de Portugal, com dinheiro, para paraísos fiscais, teve a garantia de ter assinado uma factura em que compra a inocência; esta factura é arquivada no esquecimento do Fisco; pagou 7,5% de imposto, dos milhões sonegados no branqueamento dos impostos e ficou livre. 
Quem comer um pão, já sabe, paga 6% de IVA)

É atroz, como digo, porque uma vez instalados nessa espiral do "narcisismo” todos os outros lhes importarão um chavo. 

Ao menos que tu trepes aos meus ombros, o outro que trepe nos teus e entre todos saltemos o muro.

1 comentário:

Fa menor disse...

Ui!
"Não esqueças nunca quem te fez um favor, porque em algum dia terás que lho devolver" - isto vale para tanta coisa. Hoje ninguém dá nada a ninguém.
«espiral do "narcisismo"» - é isso!
Boa reflexão!