.
Papiro com oito linhas, revelado pela historiadora, Raren L. King (Havard), onde aparece escrito em copto: “Jesus disse-lhes: Minha esposa…”. O papiro contém outra frase ‘provocadora’ imediatamente abaixo de “esposa”, “ela poderá ser meu discípulo”.
No escaparate da loja, os objectos acumulavam-se amontoados.
Entrei e uma campainha anunciou a minha presença.
Não apareceu ninguém a perguntar-me o que desejava.
Desde os armários abarrotados de utensílios que foram novidade noutras épocas, chamou-me a atenção uma colecção de bonecos macabros.
Havia-os de todas as épocas.
Vestidos com batina e cartola, damas com vestidos armados, militares com medalhas, hippies, jovens yuppies vestidos com Armani, donas de casa com o carrinho de compras incluído.
Disse que eram macabros, porque ao olhar atentamente para as suas diminutas cabeças, divisava-se um fio de sangue e o que parecia ser um disparo, desfigurava os seus rostos.
Disparos na boca que tinham deixado um buraco negro por sorriso.
Disparos na têmpora, com uma enorme brecha de saída e massa encefálica escorrendo pelo ombro.
Tirada daqui
Senti um calafrio e desviei o olhar.
Sobre uma mesa no centro da loja, pareceu-me curioso, não a tinha visto ao entrar, uns quantos objectos ocupavam toda a sua superfície.
Um velho caderno com palavras escritas com uma refinada e elegante escrita, convidavam-me a beber de um copo transbordante do que me parecia ser vinho tinto.
Fi-lo.
No caderno, apareceu escrito “despede-te” e vi-me a mim mesmo a escrever umas linhas no papel.
Agora o que estava escrito era ”queima-o”.
Na mesa estavam os fósforos.
Senti-me na obrigação de não deixar de fazer o que as palavras me ordenavam, de modo que o fiz, queimei a minha despedida.
O último objecto, um estranho revólver chegou à minha mão, e sem saber como, comecei a empequenecer...
.


Sem comentários:
Enviar um comentário