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... outro parceiro de café contou-me que se vestia sempre consoante o seu estado de ânimo.
Um estado de ânimo que, por sua vez, descobria através da música.
Cada manhã, antes de vestir-se, interrogava-se que canção lhe apetecia escutar.
Era o seu método particular, um tipo de atalho que o ajudava a conhecer de que humor se tinha levantado: optimista, deprimido, tranquilo, sensual, romântico, tristonho...
Cada canção ou estilo seleccionado (rock, hardcore, pop, hip-hop, blues, soul ou inclusivamente clássica) acompanhava, por sua vez, uma vestimenta concreta: camisas mais ou menos coloridas, calças formais ou joviais, acessórios (ou no seu lugar, minimalismos), contrastes cromados, sapatilhas de desporto, botas, sapatos.
Hoje, por exemplo, tinha despertado com Master of Puppets de Metalica.
- Dissidente mas cheio de energia, disse-me.
Jeans, t-shists de alças, jaquetas de couro...
Também me confessou que algumas vezes tinha tentado enganar-se a si mesmo; colocar uma canção diferente à que lhe pedia o corpo, ou uma roupa diferente à que lhe pedia a música, mas nestes casos não podia evitar sentir-se ridículo, disfarçado, como se de um impostor se tratasse.
Via-se incapaz de sentir-se triste e vestir, por sua vez, uma camisa de flores, ou jovial e vestir-se de negro.
Como se tudo nele, o seu interior e o seu envoltório, significasse o mesmo.
Sempre transparente.
Sempre desnudo.
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