O VIDEIRINHO

quarta-feira, janeiro 08, 2014

CARPIR...

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Isto é algo que há algum tempo mantinha em banho-maria, digamos que há uns tempitos … mas avante com ele… 

O que fazer quando a tua vida está voltada do avesso? 

Quando nada está no seu sítio? 

Quando o teu mundo se retorceu sobre si mesmo até quase desaparecer? 

Quando nem tu mesma sabes o que és e o que eras? 

Que se pode fazer? 

Improvisar, esta é a resposta. 

Improvisar e tentar passar o dia sem pensar em tudo aquilo que te faz sofrer em cada minuto como se fosse o mais eterno dos infernos. 

Mas a improvisação tem os seus perigos. 

Não há guião. 

Não há princípios. 

Não há planos para o futuro. 

Nem objectivos. 

O teu mundo converte-se num caos onde qualquer coisa pode acontecer. 

Onde podes ser qualquer personagem excepto tu mesma. 

Porque TU tinhas guião, princípios, objectivos e futuro. 

Agora é tudo incerto. 

Novo. 


E por isso mesmo, deverá tratar-se de uma aventura excitante. 

Mas a ti parece-te terrivelmente aterradora. 

Tentemos pois viver assim. 

Tentemos fazer como tantos outros. 

Deixa de pensar, esse será o começo desta nova aventura. 

Só actuar. 

Por instinto… de sobrevivência, suponho… ou tratar-se-á na realidade de uma péssima intenção de procurar a felicidade perdida? 

Não sei bem… mas se fosse assim, não tentaria procurá-la da mesma maneira que a encontrei a última vez? 

Seria o mais sensato… no entanto para que isso fosse possível teria que ser a mesma pessoa de então, o meu mundo deveria ser o de antes, mas… realmente sou a mesma? 

Pode ser que em essência continue a sê-lo e que algum dia volte a aproximar-me de mim mesma de novo, mas hoje por hoje… sou diferente, estou ferida, destroçada no mais íntimo... mudei, ainda que não saiba como nem quanto, não sou objectiva para poder quantificá-lo, mas é seguro que mudei. 


Uma vez, há muito tempo, alguém me disse que eu era a pessoa mais feliz que tinha conhecido na sua vida… não sei se agora pode dizer o mesmo… e não sei se o poderá dizer nalgum momento. 
E o meu mundo? 

Já nem sequer é meu. 

É absolutamente diferente, não o reconheço no mais ínfimo, a vida que levo sem ele não é a mesma, tudo mudou e o que permaneceu estático vi-me obrigada a deitá-lo abaixo para sobreviver… 

E esta nova vida, de mãe solteira (nego-me a chamar-me a mim mesma viúva)  faz-me sentir perdida, desfasada, inclusive antiquada!!! 

Como se desde a juventude até agora tivessem passado diversas gerações. 

Agora para adaptar-me tenho que reinventar-me, o pior é que não sei em quê ou como quero ser. 


Bem… façamos uma lista de coisas que nunca faria, coisas que gostaria de fazer e que quiçá não fiz por mil motivos diferentes, façamos uma lista de fantasias, anseios e desejos que não levei à prática porque “eu sou assim”… façamo-lo… vejamos quem sou agora. 

Descartarei só aquilo que uma vez provado não tenha gostado, dessa maneira verei como quero que seja o meu futuro. 

Esse futuro que sem me aperceber estou a construir e convertendo-o em presente. 

O único princípio iniludível é não prejudicar os demais, o resto está permitido neste novo mundo desconhecido. 

Vai ser uma aventura… espero. 

Comecemos.

17FEV2012
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