O VIDEIRINHO

quarta-feira, agosto 13, 2008

SEXO, AMOR e FELICIDADE

A abundância de condutas e parceiros sexuais, nem sempre nos enche os sentimentos de prazer e felicidade.

De facto, (há já algum tempo, chamou-me a atenção), ao ler o livro, "La Vie Sexuelle de Catherine M.", escrito pela directora da revista, ArtPress, de arte contemporânea, a francesa, Catherine Millet, da escassa referência ao prazer que se vislumbra entre as suas vivências.

Muito copular, de todas as formas e maneiras, com quantos mais melhor, mas com ausência de emoções.

E já alguém disse que o órgão sexual mais importante é o cérebro, onde se localiza o centro do prazer e metaforicamente o coração, se falamos de emoções.

Os sentimentos de prazer e felicidade são misteriosos também, no que se refere ao sexo.

Poderíamos ser levados a pensar que as pessoas promíscuas, fisicamente atractivas, que possuem parceiros sexuais à disposição de lhes dar rédea solta ás suas fantasias, vivem no cúmulo da felicidade sexual.

Sem dúvida que o ser humano é complexo.

Basta pensar no amor como fenómeno, para darmos conta de que há emoções que não controlamos e que têm muitíssima importância na motivação dos nossos actos e no grau de satisfação que estes nos proporcionam.

Albert Moll, um dos pioneiros da sexologia, contemporâneo de Freud, Iwan Bloch e Magnus Hirschfeld, propôs que a natureza sexual humana, é constituída por dois componentes totalmente distintos: um, impulsionado para o prazer genital.

Outro, para a emoção amorosa, sem ir acompanhada do desejo de descarga genital.




Segundo Moll, o impulso sexual amoroso pode ser independente, não só da atracção amorosa, como de qualquer objecto sexual.

A auto-estimulação, pode dar-se como um acto solitário, sem que nem sequer se imagine um companheiro.

Neste sentido, os impulsos - desejos sexuais - designação mais em voga, hoje em dia e utilizada com mais frequência - não seriam sociais.

Ainda segundo Moll, os rapazes e as moças, podem atrair-se, ainda antes que o impulso sexual chegue a dirigir-se para outra pessoa e a auto-estimulação, dá-se, em muitos machos, ainda que a fêmea esteja disponível.

Eu acrescentaria que também nas fêmeas.

Esta postura, muito própria da era Vitoriana, enaltecia a emoção amorosa - o amor como algo sublime - e distingui-a e separava-a do sexo, considerado um baixo instinto para controlar.

Segundo este autor, o sexo não é selectivo, move-se por impulsos e é dirigido à sua satisfação; pelo que não importa tanto a pessoa com que se pratique, mas sim o acto em si.

Isso explicaria o fenómeno da prostituição, onde o importante é o acto, sendo a pessoa, secundária.

Enquanto que no amor, o sujeito amado é insubstituível e exclusivo; converte-se em algo único: daí a dependência que gera.

Certamente, a comunhão do impulso sexual e a emoção amorosa é o cúmulo do amor-paixão, tão exultado no cinema e na nossa literatura.

Unir a necessidade de sexo à exclusividade amorosa supõe um explosivo "cocktail", que, se se resolve bem, fará as delícias dos amantes que o desfrutem.

Mas, se falta um ingrediente, a frustração e o sofrimento estão assegurados.

A vida é assim … quem mais joga, mais tem a ganhar … ou a perder.

A questão é que, na maioria das vezes, tão-pouco se pode fazer, muito mais os sentimentos como o amor, não se escolhem, dominam-nos.

O que opinas do binómio amor-sexo?

Parece-te que são ingredientes necessários para a felicidade?

Costumas integrar o amor e o sexo nas tuas relações?

O que acreditas que proporciona mais felicidade, o amor ou o sexo?


3 comentários:

Carlos Rebola disse...

Amigo José Torres

Se as relações felizes dependessem exclusivamente do sexo decerto não o seriam.
De certo modo estou de acordo que o principal órgão sexual e acrescento sentimental é o cérebro. Até por sexo sem sentimento e amor não resulta satisfatoriamente para os parceiros quando se entra fisicamente em decadência para haver uma relação sexual satisfatória é necessário o amor e aquela nem sempre é consumada em termos genitais, mas não deixa de ser gratificante porque há o amor. A tendência hodierna para o prazer imediato complica a consumação de uma vida feliz e estável, tudo se está a tornar muito técnico a exigir resultados eficazes de acordo com os objectivos traçados. Isto não joga muito com sentimentos humanos, isto tem mais a ver com máquinas.
É claro que num casal, o binómio sexo - amor são muito importantes a seu tempo, depois desse tempo, quando o sexo já não é o que era, para que o casal continue feliz tem que persistir o amor, como cimento da união. É o que penso.
Um abraço
Carlos Rebola

Anónimo disse...

Uma união, se não houver um bom entendimento sexual, dificilmente vingará, partindo do princípio que excluímos aqueles que acham que é melhor estar casado do que divorciado, coisa que ainda acontece na nossa geração....e noutras.
Claro que costumo integrar, o amor/sexo nas minha relação, nem sei fazer de outra maneira, mas pode ser da minha idade.
A maior felicidade é o amor, não tenho dúvidas, mas não estou de acordo com o Carlos Rebola.
O sexo, dentro do amor, é sempre o que era, ou até melhor ainda, seja qual for a idade.

beijinho, contente por estares de volta.

Anónimo disse...

Se calhar é de separar entre :
AMOR/sexo
e
AMOR/carinho
ou sexo e carinho em vez da enganosa palavra AMOR