A cerimónia de encerramento dos Jogos Olímpicos de Beijing 2008, ofereceu aos olhos de milhões de espectadores em novo alarde de imaginação, pólvora e desdobramento de meios, com que o grande país asiático assombrou o mundo durante duas semanas; em que a máquina da organização roçou a excelência e o fulgurante avanço do desporto chinês permitiu-lhes arrebatar aos EUA, a primazia do titulo de primeira potência olímpica.Sem dúvida que a China, que bateu o recorde de medalhas de ouro, figurantes e mobilização de voluntários, também superou o deplorável recorde de expulsões forçadas, detenção de activistas, voluntariado " forçado e escravo" e restrições a todos os jornalistas, impondo uma férrea ditadura de censura, que frustrou as expectativas, de que a abertura desportiva e comercial só se poderia somar à ansiada abertura política.
O mandante do Partido Comunista Chinês, Liu Qi, encerrou os Jogos, convencido de que o "mundo recuperou a sua confiança na China", o que em nada corresponde com a marcada sensação, entre os países democráticos, de que o grande país asiático não cumpriu minimamente a promessa de associar os Jogos ao respeito pelos Direitos Humanos; ensombrando um evento desportivo espectacular nas pistas, nas transmissões televisivas e na duríssima competência global.
Essa competência, (atribuição), sem fronteiras, onde cada país, a cada quatro anos, incrementa o seu orçamento para promover o desporto de elite, que pode ser uma desilusão, como o foi, (terá sido? A mim não me surpreendeu!!!), para muitos, principalmente os que gostam de louvaminhices, a participação de Portugal, que para alguns, sofreu na carne a ambição desmedida, de imaturos, de sermos só 10 milhões, e não ganharmos tudo …
A actuação dos desportistas portugueses em Beijing ofereceu-nos momentos de grandeza, lembrou-nos a nossa pequenez, também lapsos de decepção, (terão sido?), deixando um sabor agridoce cujos culpáveis, em boa parte, são os que lançaram o desporto português na alta roda do olimpismo, com o arriscado cálculo de tirar conclusões sobre êxitos pontuais.
Mas no meio duma discreta actuação, com instantes sublimes, como a medalha de ouro ou a de prata, não podemos esquecer os recordes nacionais batidos e os diplomas obtidos.
Num pequeno país como o nosso, que ocupa os lugares cimeiros da obesidade infantil, não é desatinado extrair algumas conclusões sobre a urgência em recuperar as fases iniciais da educação, o desporto físico que encaminhe a juventude para as disciplinas básicas da carreira, o salto e a resistência dos pilares primários dum atletismo.
O Comité Olímpico Internacional tem na comparência em Londres, um cómodo trajecto sem grandes complicações, mas a lição de Beijing, (Pequim), deveria levá-lo a considerar que chegou o momento de incluir, dentro dos grandes valores do olimpismo, um novo pilar sustentado pelo respeito dos direitos humanos, requisito mínimo indispensável para qualquer país que aspire a participar ou organizar uns jogos, no futuro.

.
1 comentário:
Será que a profissionalização do desporto é legítima?
Será que os árbitros são imparciais, livres e independentes?
Nesta dupla questão assenta a mentira das democracias modernas, sim porque a Democracia grega era mais imparcial na igualdade dos cidadãos perante a sociedade.
Mas como a ignorância é a mãe de todas as vilanias, cá vamos cantando e rindo ao sabor dos piores dislates.
Enviar um comentário