O VIDEIRINHO

segunda-feira, novembro 16, 2009

ÚLTIMO DRAGÃO

O cardeal


Há muitas lendas que falam sobre a extinção dos dragões, mas só uma conta a verdadeira história de Sir Esmifra, o valente cavalheiro que acabou com os últimos mil dragões.

Sir Esmifra estudou, como muitos outros, durante anos os cruéis e malvados comportamentos dos dragões do seu tempo, mas as conclusões foram únicas e inacreditáveis: os dragões viviam numa irritação constante, tão grande que os fazia deitar lume pela boca.

Assim, quando se decidiu acabar com os dragões, subverteu tudo e todos, modificando a seu bel-prazer as armaduras e espadas dos outros cavalheiros por algo tão insólito: uma anedota e um carro de gelados (daqueles que não se vêem por aí, mas que já existiram).

Quando o primeiro dragão se aproximou para devorá-lo, Sir Esmifra contou-lhe uma anedota, quase a gritar para ser bem ouvido.
(Esqueci-me de dizer que naquela época, não era só a carne nacional que eles comiam, também a que chegava do Brasil, Colômbia e outros países produtores de carne branca, tipo “filé mignom”).

Era uma anedota tão boa … tão boa que o dragão não resistiu e sorriu-se, o que originou que o seu fogo se apagasse por uns momentos, tal como já tinha sido previsto pelo valente cavalheiro.



Nesse mesmo instante, enquanto o dragão se ria, ofereceu-lhe também gelado …

Que fresco tão agradável sentiu o dragão depois de anos e anos com fogo na garganta.

E aproveitando a tranquilidade daquele dragão que minutos antes parecia o mais feroz, Sir Esmifra, ofereceu-lhe “fruta” (qual episódio bíblico de Adão e Eva, ou outros factos reais dos nossos dias), que ao dragão lhe soube a glória.

É que os dragões não comiam fruta, nem verduras, porque o fogo das suas bocas queimava-as de tal forma que ficavam sem qualquer paladar e assim, preferiam comer vacas e pessoas, que mesmo chamuscadas pelos tentáculos do polvo, desculpem lá, mas não havia ainda, animais marinhos.

Então, como dizia, chamuscadas, mas ainda com sabor a algo … mas é evidente, quando o dragão provou “fruta fresca”, sentiu tanta alegria e felicidade, que até o seu terrível aspecto foi mudando, porque a sua má pinta também era de comer tão mal e sempre a mesma coisa.



Depois de uns poucos dias de vida alegre e sã, uma noite o dragão desapareceu.

Nunca mais foi visto, constando-se insistentemente, que o que soçobrou, bem … ainda não foi demonstrado …

O único rasto conhecido que deixou, são pequenas fogueiras, quase insignificantes (leia-se inocentes), de Norte a Sul daquele inocente país.

E assim termina a história de Sir Esmifra, que com a ajuda do seu férreo braço direito, com as suas anedotas, a sua carne de primeiríssima qualidade, com uma legião legionária de capangas fez desaparecer o mínimo vestígio de dignidade que ainda havia, desaparecendo, pelo menos à vista desarmada, aqueles terríveis dragões e ficando no seu lugar, cândidas bruxas às riscas, quais meninas do coro.



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2 comentários:

Angela Ladeiro disse...

Que história estapafúrdia...mas interessante.

xistosa, josé torres disse...

Angela Ladeiro

Não me vou alongar ... e as entrelinhas, não contam?
Não se pode abrir muito a boca por causa dos vírus da gripe ...