.
Ajudem-me a colocar… os “pontos e vírgulas e pontos finais” em tudo isto que dedilhei abaixo (reparem que não coloquei um ponto final ou sequer um ponto e vírgula):
Hoje, dada a ressaca da pizorga de ontem, não pensava publicar nenhuma peta, tanto mais que é feriado (em todo o país, ilhas e arredores, estes - arredores - configurando as nossas águas territoriais), mas saquei do táxi para passear e passaram-se coisas, nenhuma importante, ainda que todas elas dignas de ser escritas ou contadas não tanto para vocês, mas sim para mim, para desabafar ou talvez transformar inevitavelmente a minha parcela do mundo em palavras, em frases, a “modos que” como um documento escrito que demonstre, ainda que só seja isso, que estou vivo, que continuo vivo, que o meu táxi existe porque o escrevo e que eu também existo ante os teus olhos (não saberias de mim sem me ler) e precise ser eu para ti, necessite ser, ao fim e ao cabo, ver-me reflectido nesses teus olhos que me lêem para saber que existo, que tenho um sentido mais ou menos justificado, enfim, que tudo isto me vem à mente e que hoje, enquanto circulava ocupado pela rua de S. Roque da Lameira (com um homem de meia idade no assento traseiro de meu táxi),
me deu para me fixar no escaparate de uma loja e com isto vi-me reflectido na sua grande montra, mas não ao passageiro que viajava comigo, isto é, vi o reflexo do meu táxi e eu ao volante, mas não o reflexo do passageiro sentado do mesmo lado que eu, atrás de mim (via nitidamente a sua janela completamente vazia, sem ocupante) e este estranho acontecimento, como digo, levou-me a saltar o feriado e escrever, quiçá movido pelo medo a desaparecer eu também no reflexo dos vossos olhos, do mesmo modo que desapareceu aquele meu passageiro, no reflexo da montra da loja, um medo atroz asseguro-vos e, se disse no princípio que não me tinha sucedido nada importante, agora que penso melhor, (Puxa!), talvez aquele utente fosse um fantasma ou um vampiro e eu aqui, dando voltas ao miolo e falando de existencialismo e relativismo enfocado à literatura, (que porra de relativismo!), aquele tipo que transportei não era deste mundo e ponto final.
NOV2011



Sem comentários:
Enviar um comentário