O VIDEIRINHO

segunda-feira, outubro 01, 2012

GOVERNANTES ATARDADOS

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Seríamos muito desagradecidos se não reconhecêssemos mérito aos governos que nos lançaram neste desastre económico, quando todos (ou quase) estamos a conviver com ele. 

Dentro de muito pouco tempo vai ser difícil dar um passo sem pisar um desempregado, mas o mais grave será depois: quando os desempregados começarem a pisar os transeuntes que mantêm os seus empregos. 

Tudo isto passa por nos empenharmos em fazer contas, que é um assunto tão arriscado como fazer balanço, em certas idades, da nossa passagem pelo mundo. 

É melhor não nos ocuparmos de certas contabilidades, como parece que faz dom Victor Gaspar, que era, generalizadamente, muito apreciado, até que chegue ao capitulo final da sua fantasiosa novela governativa com fantasiosas homilias sobre homilias. 


Lembra-me sempre aquele “tipo” que caiu do 15º andar e perguntaram: “como vai isso?” e o senhor governante atardado pôde responder: “até agora bem”. 
Mal mesmo será quando aterrar. 

Viver para ver como nos arranjamos para continuar a viver. 

O que se começou negando que fosse uma crise pegou impulso e agora denomina-se abertamente 'desastre total'. 

Avança-se que no fim deste ano, quando voltarmos a última folha dos calendários, haverá um milhão e duzentos mil desempregados, cerca de 20% dos que ainda mexem e bulem para o bem comum dos governativos e sicários (boys é termo que não vem nos dicionários que consultei) e não devemos esquecer que cada algarismo neste número é uma tragédia. 

 Ainda bem que há mulheres... adeus políticos!!!

As cifras têm protagonistas, mas quem realça cada um destes dramas individuais? 

Ao país de novos ricos que éramos há pouco ou quase nada, invadiu-nos uma marabunta de pobres mais ou menos amadores. 

Quando acreditávamos habitar, se não no melhor lugar do mundo, mas num dos mais confortáveis, colocaram-nos uma mão no ombro e a outra na algibeira para recordarmos o que em verdade constitui a nossa nacionalidade. 

O mau mesmo, é que os governos o fizeram com notável atraso e sinto-me no direito a confundir o atraso governamental com o atraso mental dos nossos governantes.
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