O VIDEIRINHO

quinta-feira, março 01, 2007

A VERDADEIRA HISTÓRIA DA CIGARRA E DA FORMIGA


(A HISTÓRIA QUE NUNCA FOI CONTADA)


A versão antiga:

A formiga trabalha arduamente, debaixo de um calor abrasador, durante todo o Verão, construíndo a sua casa e armazenando provisões e mantimentos para aguentar o Inverno. A cigarra pensa que a formiga é uma tola e ri, dança e brinca durante o Verão. Chega o Inverno e a formiga está confortável e bem alimentada. A cigarra não tem comida nem abrigo e morre.

A versão moderna:

A formiga trabalha arduamente, debaixo de um calor abrasador, durante todo o Verão, construíndo a sua casa e armazenando provisões e mantimentos para aguentar o Inverno.
A cigarra pensa que a formiga é uma tola e ri, dança e brinca durante o Verão.
Chega o Inverno e a enregelada cigarra convoca uma conferência de imprensa para denunciar a situação em que vive, pretendendo saber por que razão é permitido à formiga estar bem aquecida e alimentada enquanto outros sofrem com frio e fome.

RTP, SIC e TVI, apresentam-se em força para transmitir imagens da pobre cigarra, completamente transfigurada pelo frio e pela fome, ao mesmo tempo que passam outras imagens da formiga na sua casa bem confortável e com a mesa cheia de boa comida.
O país está chocado perante este contraste.
Como é possível, nos dias que correm, uma pobre cigarra sofrer tanto?
Durante dias não se fala de outra coisa.

O 1º Ministro, Santana Lopes, aparece num programa especial da RTP com um ar consternadíssimo, repetindo, vezes sem conta, que fará tudo o que está ao seu alcance para ajudar a pobre cigarra, a qual, como toda a gente deverá entender, está a ser vítima da má política dos anteriores governos do PS.

O Padre Melícias tem desenvolvido esforços para angariar toda a ajuda possível, implementando um peditório, a nível nacional, para que a cigarra possa viver com alguma dignidade.
Simultaneamente, a CGD abriu uma conta especial, onde qualquer pessoa pode efectuar um depósito, contribuindo, assim, para mais uma ajuda preciosa.

O secretário geral do PCP, Carlos Carvalhas, numa entrevista com a Manuela Moura Guedes, comenta que a formiga enriqueceu à custa da cigarra, resultado de uma gestão danosa do Governo de Durão Barroso, que sempre prejudicou os mais necessitados, e apela ao 1º Ministro para que seja criado um aumento significativo do IRS, através de um escalão especial, para fazer com que a formiga pague o valor justo em relação àquilo que ganhou.

Num movimento sem precedentes, Paulo Portas e o irmão Miguel Portas aparecem juntos, abraçados à cigarra, em todas as feiras e mercados.

Finalmente, foi criada uma Secretaria de Estado, dependente do Ministério das Finanças, e desenvolvido um programa chamado "Igualdade Económica e Acções Anti-Formiga", com efeitos ao princípio do Verão, o que obrigava a formiga a pagar os novos impostos com retroactivos.
Como a formiga não estava preparada para pagar, a sua casa foi confiscada pelo Governo.

A firma de advogados do Vale e Azevedo, representando a cigarra, apresentou em tribunal um processo contra a formiga, por abuso e fuga aos impostos, tendo a formiga perdido a causa, sem qualquer hipótese de recurso.

A formiga desaparece e ninguém mais lhe põe a vista em cima.

Em todos os canais da televisão, o Presidente da República Jorge Sampaio, com o seu entusiasmo habitual, anuncia que foi feita justiça e que uma nova era de integridade e equidade nasceu em Portugal.

A Lili Caneças, querendo tirar mais umas fotografias, organizou uma grande festa de beneficência, onde estiveram presentes todos os nomes conhecidos da política, artes, moda, teatro, cinema, música, desporto, etc.
Com o dinheiro que ganhou de todos estes movimentos nacionais de solidariedade, bem como da venda de grande parte da comida da formiga, a cigarra vive dias com que nunca sonhou. Grandes festas, jantaradas, casinos, jogo, mais festas e mais jantaradas, oportunistas, más companhias, e o dinheiro desaparece depressa.

A história acaba com as imagens da cigarra a comer o último bocadinho de comida que a formiga tinha armazenado, dentro da casa que agora pertence ao Governo, mas que, por falta de verbas para proceder à sua manutenção, encontra-se completamente degradada.

A cigarra, entretanto, foi encontrada morta num beco, resultado de um incidente relacionado com drogas e a casa, agora abandonada, é utilizada por um bando de delinquentes e marginais que vive aterrorizando, o que em tempos, era uma pacífica vizinhança!

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