O VIDEIRINHO

quarta-feira, setembro 18, 2013

CARTOGRAFIA DO TEU CORPO (Parte I)




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Viajo pelo teu corpo procurando o céu entre as tempestades das tuas pernas e as ondas dos teus cabelos, perdido e sem procurar ajuda, só com o meu instinto como bússola e a emoção da tua respiração ofegante inflando o meu velame.

Caminhos que se cruzam, desdobram, reconsideram e emergem sobre o território oscilante da tua pele, às vezes ampla e extensa como um prado após a chuva, ás vezes cravejada como uma terra viva com os cardos amáveis dos teus poros arrepiados, às vezes misteriosa como quando me procura para depois se afastar, turgentes às vezes e outras adormecida. 

 

Errantes e sem querer achar a rota, os meus dedos perdem-se comprazidos pela tua geografia tentadora, agitando-se entre os teus vales, subindo a cada sinuosa protuberância, extraviando-me na frondosidade das tuas selvas, recriando-me na calidez dos mares que encontram, deslizando pela extensão das tuas pernas, desejando abarcar a turgidez dos teus seios, apoiando-me na solidez das tuas nádegas, ansiando enraizar-me no vazio penetrante dos teus beijos profundos. 

Subo e desço os limites do teu pescoço como que buscando definir uma travessia em que só me interessa perder-me, despenco-me pela cascata subtil das tuas vértebras para escalar lentamente as colinas além das tuas costas, nadá-las, dispô-las como coordenadas de um mapa que me inflama. 


Desço os caminhos das tuas coxas, sem pressa, investigando-os, acariciando os sinais da tua emoção subo à concavidade do arco do teu joelho, à altura breve da barriga das tuas pernas, ao promontório brilhante dos teus calcanhares e entrego-me aos caminhos dos teus dedos. 

Promontórios impertinentes que perambulo como uma criança, até fazer com que te volteies e confiar a minha mão à incitante aventura de escalar as tuas pernas, esquadrinhar as carnes que me esperam, submergir no vale do teu umbigo, contornar o teu abdómen, ceder ás marés da tua respiração que se acelera, trepar o sinuoso perfil dos teus seios sobrelevados, descer pela linha do teu centro, contornando cada costela com a antecipação de uma espera prolongada, aferrar-me na tua fogosa silhueta e esquadrinhar os teus mares e, nos teus apriscos, as tuas concavidades e passagens, a densa noite dos teus calores e os meus desejos veementes.



CONTINUA…

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