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Viajo pelo teu corpo procurando o céu entre as tempestades
das tuas pernas e as ondas dos teus cabelos, perdido e sem procurar ajuda, só com
o meu instinto como bússola e a emoção da tua respiração ofegante inflando o meu
velame.
Caminhos que se cruzam, desdobram, reconsideram e emergem sobre o
território oscilante da tua pele, às vezes ampla e extensa como um prado após a
chuva, ás vezes cravejada como uma terra viva com os cardos amáveis dos teus
poros arrepiados, às vezes misteriosa como quando me procura para depois se
afastar, turgentes às vezes e outras adormecida.
Errantes e sem querer achar a
rota, os meus dedos perdem-se comprazidos pela tua geografia tentadora, agitando-se
entre os teus vales, subindo a cada sinuosa protuberância, extraviando-me na
frondosidade das tuas selvas, recriando-me na calidez dos mares que encontram,
deslizando pela extensão das tuas pernas, desejando abarcar a turgidez dos teus
seios, apoiando-me na solidez das tuas nádegas, ansiando enraizar-me no vazio
penetrante dos teus beijos profundos.
Subo e desço os limites do teu pescoço
como que buscando definir uma travessia em que só me interessa perder-me,
despenco-me pela cascata subtil das tuas vértebras para escalar lentamente as
colinas além das tuas costas, nadá-las, dispô-las como coordenadas de um mapa
que me inflama.
Desço os caminhos das tuas coxas, sem pressa, investigando-os,
acariciando os sinais da tua emoção subo à concavidade do arco do teu joelho, à
altura breve da barriga das tuas pernas, ao promontório brilhante dos teus calcanhares
e entrego-me aos caminhos dos teus dedos.
Promontórios impertinentes que
perambulo como uma criança, até fazer com que te volteies e confiar a minha mão
à incitante aventura de escalar as tuas pernas, esquadrinhar as carnes que me
esperam, submergir no vale do teu umbigo, contornar o teu abdómen, ceder ás
marés da tua respiração que se acelera, trepar o sinuoso perfil dos teus seios
sobrelevados, descer pela linha do teu centro, contornando cada costela com a
antecipação de uma espera prolongada, aferrar-me na tua fogosa silhueta e
esquadrinhar os teus mares e, nos teus apriscos, as tuas concavidades e passagens,
a densa noite dos teus calores e os meus desejos veementes.
CONTINUA…



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