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... CONTINUAÇÃO
Nascem dedos na língua, olhos no nariz, orelhas nas
unhas, papilas no ouvido e a expedição esparrama-se, com as suas provisões em
alerta, o corpo todo feito sentido envolvente, uma só caravana de múltiplos passageiros integrados sem aliança num
itinerário que os acorda em cada espaço que adivinham, intuem, descobrem,
traçam, propõem.
Com determinação de cartógrafo anoto cada curva, cada ângulo, na memória para entre o sussurro distante dos olores e o sereno impulso da recordação, agitar amanhã os ecos do estranho e o deleite de uma possível nova viagem.
A sul dos teus peitos, a norte dos teus joelhos, a este dos teus braços e sobre o horizonte dos teus bulícios, entregar-te o mar amplo desta viagem infinita e, como eu, fecha os olhos para que só o tacto veja, decifrando cada matiz na fotografia ardente que vamos revelando na polpa dos dedos, no ritmo crescente dos latejos, na certeza, inevitável de que a luz é uma convicção interna, pessoal, intransmissível, que agita a respiração a partir do interior, como um fogo, nos longos, quase eternos instantes em que, como um chicote aplicado desde as têmporas até aos calcanhares, o barco atraca no porto e as tempestades juntam-se neste gemido simultâneo de humores e caricias.
Com determinação de cartógrafo anoto cada curva, cada ângulo, na memória para entre o sussurro distante dos olores e o sereno impulso da recordação, agitar amanhã os ecos do estranho e o deleite de uma possível nova viagem.
A sul dos teus peitos, a norte dos teus joelhos, a este dos teus braços e sobre o horizonte dos teus bulícios, entregar-te o mar amplo desta viagem infinita e, como eu, fecha os olhos para que só o tacto veja, decifrando cada matiz na fotografia ardente que vamos revelando na polpa dos dedos, no ritmo crescente dos latejos, na certeza, inevitável de que a luz é uma convicção interna, pessoal, intransmissível, que agita a respiração a partir do interior, como um fogo, nos longos, quase eternos instantes em que, como um chicote aplicado desde as têmporas até aos calcanhares, o barco atraca no porto e as tempestades juntam-se neste gemido simultâneo de humores e caricias.
Cansados, rendidos, integrados, os refúgios dormem uns sobre os outros,
enquanto que lentamente, os dedos voltam à vida sobre os caminhos explorados,
como que tratando de encontrar a rota de regresso à terra áspera em que
voltarão a ser simplesmente dedos e os lábios lábios e, só cabelo o cabelo e a
respiração apenas uma respiração.
Ainda que só a promessa do território
conhecido, a esperança sozinha de um novo percurso, retorna ao seu campo quotidiano
com a força de uma nova viagem possível, aquele em que, entregues à geografia
dos corpos, voltarão a ver os dedos e a ouvir os lábios e a ondular o cabelo e
a tocar a respiração quando o norte se veste de mamilo, os vales se humedecem e a noite se
ilumina em texturas só decifráveis pelo pausado reconhecimento das tuas formas.
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1 comentário:
Já existem profissionais para fazer essa cartografia, chamam-se amantes, a senhora casa, o marido vai trabalhar e quando chega a casa tem o mapa feito em cima do psiché.
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