.
Porque tenho cara de cu, digo, de suspeito, ainda que o não seja, mandam-me sempre parar nos controles, ou ‘contróis’, (depende da autoridade de momento) e ao acercar-se o agente de autoridade, não posso evitar olhá-lo como que pedindo perdão ainda que sem saber muito bem porquê e de quê.
Pedem-me os documentos e, como é normal em mim, estão sempre em ordem; sopro ao balão e logicamente dá negativo.
Mas, ainda que não tenha bebido uma gota sequer de álcool, não posso evitar soprar com medo.
Não posso evitar recordar aquela vez que roubei, sendo criança, uma embalagem de chicletes naquele quiosque em frente à escola e penso que essa mancha na minha consciência não prescreveu, que mais tarde ou mais cedo a justiça actuará contra mim.
O alcoolímetro não repara no meu delito porque essa culpa não se espraiou pelo ar que respiro, ainda que tenha infectado o meu sangue.
Por isso, enquanto sopro, cruzo os dedos para que o chui não me submeta depois a um controle toxicológico.
A suceder isso, daria, sem qualquer dúvida, positivo de sopetão e acabaria por vir à baila o pacote de chicletes e então, adeus futuro.
Talvez seja melhor entregar-me directamente à polícia, ou precipitar-me e confessar no controle seguinte.
Assim, ao menos, podia lavar essa culpa que desde há uns anos, muitos anos, me corrói as entranhas.
E tudo por um maldito pacote de chicletes de menta.
E não é que nunca gostei de menta.
NOTA:
Ainda conservo esse filho da p*ta desse pacote de chicletes intacto, escondido num recanto recôndito, da minha casa.
Desde então, (já lá vão mais de vinte e cinco anos), tento evitar caminhar pelo passeio e até pela rua desse quiosque, porque se me reconhecessem estava tudo f*odido, digo, lixado!
.



1 comentário:
Estes controlos deveriam ser feitos por marines americanos, acaba-se os criminosos em Portugal.
Enviar um comentário