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Dizia uma amiga: ainda que o mercado de homens esteja cada vez pior, as mulheres não
se deveriam envolver com homens casados e, segundo ela, quem o faz, não estará
mais do que a seguir o jogo dele e chateando a sua mulher.
Que tão-pouco
deverás meter-te com companheiros de trabalho porque, tê-lo todo o dia a
olhar-te, romperia o feitiço, encanto ou sedução, imprescindíveis em toda e
qualquer relação.
Que por nada deste mundo te cases, quando a solidão
constringe para além dos quarenta, depois de teres dedicado a existência a
defender a liberdade, a independência e o direito a ser auto-suficiente.
E
muito menos depois de teres sido acérrima detractora do casamento e de tanto
criticares os homens.
E olha que após convenceres todo mundo de teres um passado
livre de toda e qualquer suspeita, desististe desse propósito e acabas de casar,
aos quarenta e "tais" anos, com um homem que antes foi teu amante e colega de
trabalho e agora é teu marido, isto é, acabas por romper todas as tuas regras.
És
muito engraçada, sempre disseste que para separares-te, pelo menos tinhas com
quem guerrear e isso faz muita companhia, e que a partir dos quarenta se não se tinha
parceiro, é tudo muito mais aborrecido porque não deixaram muito por onde
escolher.
Que chegados e este ponto, os homens, de uma idade similar à nossa
costumam estar casados e que não resta outra alternativa que não seja, ou envolver-se
com um casado, ou envolver-se com um jovem e que te pendurem a etiqueta de
perversa devoradora de homens.
Ou no pior dos casos vais fazendo anos, (anos
após anos), com muita dignidade e orgulho, mas só.
Segundo o que ela me
explicitou, é mais difícil naquela idade porque, quando um homem atinge os
quarenta e continua solteiro e sem compromissos, é por alguma razão que ela
acaba por não entender:
um, porque é homossexual,
dois, está cheio de
traumas,
ou três, porque é um ressabiado com mulheres.
"O Evangelho da Mulher de Jesus"
No final terminava deitando
cobras e lagartos pela bocarra fora e dizendo que são peculiares como o
caraças.
Enfim, penso que é verdade isso que dizem que, ninguém escreve uma
história de amor que se inicie depois do beijo, do branco da flor da laranjeira
e do tule da ilusão.
Talvez porque a vida à medida que avança, deixa pouco
espaço para o romantismo e dispersa-se em coisas mais materiais, mais alimento
do corpo que do espírito, talvez nem sempre, mas quase sempre.
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