O VIDEIRINHO

segunda-feira, setembro 16, 2013

DEVORADORAS

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Dizia uma amiga: ainda que o mercado de homens esteja cada vez pior, as mulheres não se deveriam envolver com homens casados e, segundo ela, quem o faz, não estará mais do que a seguir o jogo dele e chateando a sua mulher. 

Que tão-pouco deverás meter-te com companheiros de trabalho porque, tê-lo todo o dia a olhar-te, romperia o feitiço, encanto ou sedução, imprescindíveis em toda e qualquer relação.

Que por nada deste mundo te cases, quando a solidão constringe para além dos quarenta, depois de teres dedicado a existência a defender a liberdade, a independência e o direito a ser auto-suficiente. 

E muito menos depois de teres sido acérrima detractora do casamento e de tanto criticares os homens. 

E olha que após convenceres todo mundo de teres um passado livre de toda e qualquer suspeita, desististe desse propósito e acabas de casar, aos quarenta e "tais" anos, com um homem que antes foi teu amante e colega de trabalho e agora é teu marido, isto é, acabas por romper todas as tuas regras. 

 

És muito engraçada, sempre disseste que para separares-te, pelo menos tinhas com quem guerrear e isso faz muita companhia, e que a partir dos quarenta se não se tinha parceiro, é tudo muito mais aborrecido porque não deixaram muito por onde escolher. 

Que chegados e este ponto, os homens, de uma idade similar à nossa costumam estar casados e que não resta outra alternativa que não seja, ou envolver-se com um casado, ou envolver-se com um jovem e que te pendurem a etiqueta de perversa devoradora de homens. 

Ou no pior dos casos vais fazendo anos, (anos após anos), com muita dignidade e orgulho, mas só. 

Segundo o que ela me explicitou, é mais difícil naquela idade porque, quando um homem atinge os quarenta e continua solteiro e sem compromissos, é por alguma razão que ela acaba por não entender: 
um, porque é homossexual, 
dois, está cheio de traumas, 
ou três, porque é um ressabiado com mulheres. 

 
  "O Evangelho da Mulher de Jesus"

No final terminava deitando cobras e lagartos pela bocarra fora e dizendo que são peculiares como o caraças. 

Enfim, penso que é verdade isso que dizem que, ninguém escreve uma história de amor que se inicie depois do beijo, do branco da flor da laranjeira e do tule da ilusão. 

Talvez porque a vida à medida que avança, deixa pouco espaço para o romantismo e dispersa-se em coisas mais materiais, mais alimento do corpo que do espírito, talvez nem sempre, mas quase sempre. 
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