O VIDEIRINHO

sexta-feira, setembro 13, 2013

MORRERAM AS CARTAS DE AMOR ?

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Algumas vezes descritas como a manifestação irrepetível de uma distância, as cartas de amor estão a sofrer uma mutação na era do correio electrónico. 

Já não há papel, tão-pouco uma madeixa de cabelo ou rastos de rouge. 

É certo que a voz ao telefone (que agora se chama telemóvel) agrega textura ás mensagens: sussurro, cadência, tom de voz. 

Mas no outro extremo da linha o mail dilui a áurea. 

A mensagem viaja desnuda e nem sequer há nada que assegure de não ser interceptada por outra máquina. 

À margem da tecnologia as mensagens de amor permanecem nas mãos dos fantasmas que, como disse Franz Kafka (que odiava cartas) a MilenaJesenská, “Escrever cartas, no entanto, significa despir-se ante os fantasmas que o esperam avidamente. Os beijos por escrito não chegam ao seu destino, bebem-nos pelo caminho os fantasmas”. 

 

Com frequência o discurso amoroso é pura auto-referência. 

O emissor fala de si mesmo, sem pensar demasiado no outro. 

Mas, se bem que nem todas as cartas chegam ao destinatário (adverte Jacques Lacan), todas chegam ao destino. 
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1 comentário:

Táxi Pluvioso disse...

Claro que morreram, privatizaram os CTT.