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A maquilhagem embelece porque tapa a verdade das pessoas.
A verdade é
essa mancha de nascimento abaixo do lábio, ou essas olheiras que demonstram
ruído nos sonhos, ou essas rugas como anéis de árvore na borda dos olhos.
Algumas mulheres maquilham os lábios para acrescentar-lhes volume e torná-los
mais coquetes.
Algumas, inclusive, ultimam os detalhes do seu rosto no assento
traseiro do meu táxi, espelho nas mãos.
Arriscam-se; se me der para travar de
repente (sofro quando corrigem a linha da pálpebra: colocam os olhos à minha
inteira disposição).
Mas há homens que se servem da maquilhagem por motivos
menos nobres.
Maquilham-se a brilhar quando é para aparecer na TV.
Maquilham o
texto que vão ler.
Maquilham, incluso, a sua linguagem gestual.
E por medo a
mostrar a verdade, (porque não?), evitam perguntas.
Os jornalistas são (ou
deveriam ser) o líquido desmaquilhante do povo.
As perguntas são toalhitas
impregnadas de álcool no rosto de quem maquilha a verdade.
O álcool não só limpa a mentira, também cura as feridas que esconde (isto é popularmente porque talvez não seja muito bem assim).
Feridas que, de não se fecharem, infectam tudo.
12FEV2013
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1 comentário:
De facto, o Passos devia parar de maquilhar e dizer a verdade: o país não é viável apenas com 2 milhões de pobres, com 4 milhões será mais real e se a economia crescer, porque se não, então o número terá que crescer para 6 ou 7 milhões.
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