O kamikazes são talvez uma das referências da Segunda Guerra, mais reconhecidas.
Não obstante, se bem que seja a sua versão "aérea" a que possui a dita popularidade, é a versão subaquática a que foi praticamente deixada ao lado da história.
Nos últimos anos da guerra tornava-se evidente a iminência da invasão das Ilhas japonesas por parte dos aliados.
Era evidente, dada a sua geografia, que a mesma requeria um controlo estrito das costas, para ser efectivo.
Daí o ter sido desenhado um sistema de minas.
Curiosamente, o Alto Comando Japonês, estabeleceria que as minas normais seriam pouco efectivas, já que as mesmas além de serem estáticas, eram facilmente detectáveis.
Foi a partir disto que se implementou um novo e arrepiante sistema.
Minas humanas denominadas fukuryu.
Escafandristas kamikazes treinados para se esconderem no fundo, esperar uma embarcação e, depois de detectar uma, nadar até à mesma e danificá-la, com uma bomba de 15 Kg que transportavam agarrada a uma comprida lança.
Modelo à escala de um escafandrista suicida japonês da Segunda Guerra.
É assim que poucos dias antes do temido V-J Day, (V-J Dia, é a sigla para o dia 15 de Agosto de 1945, o dia da vitória sobre o Japão e do fim da Segunda Guerra Mundial), no qual os Aliados lançariam a invasão, mais ou menos quatro mil homens, foram treinados na base naval de Yokosuka para esta tarefa, a qual, estava sob a supervisão do capitão Shintani.
Se bem que o seu período de existência tenha sido curto, já que como todos sabemos, Hiroshima e Nagasaki lograriam a rendição incondicional do Japão, durante a sua curta existência conseguiram infligir sérios danos a navios de importância chave, ataques que, iguais aos realizados pelos seus "iguais" do ar, foram mais efectivos psicologicamente do que estrategicamente.
Os fukuryus, mais a mais, contavam com o apoio de outro tipo de unidades suicidas.
Os Kaiten, torpedos comandados por um piloto suicida, muito ao estilo dos Kamikazes, mas debaixo de água.
Famosos por terem acertado um duro golpe aos americanos ao impactar directamente com o navio-tanque, USS Mississinewa.
Ironicamente seria uma das três armas - conjuntamente com o míssil alemão, V2 e o lança-chamas russo da 1ª Guerra Mundial - a matar mais aliados que inimigos, já que os enormes defeitos, quer de concepção, quer de construção dos mesmos, levaram a dezenas de explosões prematuras.
Diagrama de um dos tipos de torpedo suicida Kaiten, utilizado pelos japoneses durante a Segunda Guerra.
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